Com Cora, ele nunca precisou fazer qualquer esforço para mantê-la rendida aos seus pés.
Um simples sorriso seu já era o suficiente para deixá-la contente por muito tempo.
Bernardo achou que, com a chegada de Cora, a dinâmica voltaria à estaca zero.
Mas a realidade provou ser bem diferente das expectativas dele.
— Você tem o direito de não tomar os remédios. Sua incisão cirúrgica vai inflamar, infeccionar, e você será levado de volta para o bloco cirúrgico. E, claro, você pode continuar se recusando a cooperar, até que a infecção fique incurável e esse seu braço acabe amputado ou inútil.
Cora recitou os fatos com uma apatia assustadora.
Em vez das bajulações amorosas de antes, ela agora tratava tudo de forma puramente técnica e distante.
Bernardo nunca tinha visto esse lado de Cora. Suas feições se fecharam numa carranca profunda.
Apenas imaginar a cena que ela descreveu causou-lhe um calafrio de repulsa.
— Se o Sr. Pereira ficar deficiente, não tem medo de deixar a Sra. Botelho preocupada? — Até mesmo quando mencionou Adelina, a voz de Cora não carregou um traço sequer de ciúmes.
Os comprimidos e o copo d'água foram deixados na mesinha de cabeceira, bem na frente dele.
Deixando a escolha inteiramente nas mãos de Bernardo.
— Você... — Bernardo fitou Cora fixamente.
Cora não desviou o olhar.
Apenas fez um leve aceno de cabeça, caminhou até o sofá e sentou-se com naturalidade, tirando o café da manhã que havia trazido na sacola.
Depois de toda aquela agitação, ela estava genuinamente com fome.
Estava grávida e precisava cuidar bem do bebê que crescia em seu ventre.
— Então você não trouxe nada para mim? — Bernardo olhou para ela, incrédulo.
Cora deu uma mordida em seu pão de queijo e respondeu com um tom perfeitamente inocente:
— Achei que o seu café da manhã não fosse mais problema meu.
O semblante de Bernardo obscureceu-se mais uma vez.
Ele não era burro a ponto de não perceber a ironia destilada nas palavras dela.

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