Ironicamente, após todo aquele episódio, Daniel tornou-se a pessoa mais silenciosa de todas. Ele não tocou mais no nome de Cora e sequer apareceu em Lagoa Cristalina.
Bernardo achava a situação bizarra, mas não sabia dizer exatamente o porquê. Em meio àquela estranheza, ele olhou friamente para Wilson.
— Nenhuma notícia do Daniel? — Bernardo perguntou.
— Nenhuma. — Wilson balançou a cabeça. — Desde que a Sra. Fernandes foi presa, os dois cortaram totalmente o contato. Provavelmente, ela disse palavras muito duras, e, com o temperamento forte que o Daniel tem, ele jamais aceitaria isso.
Daniel era um homem orgulhoso. Já havia engolido muito do seu ego por ela. E, quando a situação chegou àquele extremo, ele tentou ajudá-la, mas foi rejeitado. Ninguém suporta ser enxotado repetidas vezes sem se magoar.
Por isso, a ausência de Daniel na tragédia parecia até compreensível. Além do mais, com todo o escândalo, a Família Colombo jamais toleraria o envolvimento dele.
— Mas ouvi dizer que o Daniel está sendo mantido à força em Luzia do Mar pelo seu avô, o Sr. Colombo. — Wilson acrescentou.
Isso significava que qualquer passo de Daniel teria que passar por cima da autoridade de Martim. Afinal, quem ditava as regras na Família Colombo ainda era Martim, e não Daniel. Aquela justificativa amarrava todas as pontas soltas.
Bernardo voltou ao seu silêncio gélido. Wilson não ousou dizer mais nada.
Como o divórcio entre Bernardo e Cora ainda não havia sido finalizado, ele continuava sendo seu familiar mais próximo perante a lei. Após resolver todas as burocracias, foi ele quem levou as cinzas dela.
Bernardo as colocou no mesmo santuário budista onde repousavam as de Noelia. Quando tudo isso acabou, já havia se passado meio mês.

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