Ao ver a ligação de Daniel, Cora já sentiu que ia ter dor de cabeça.
Ela já tinha recusado ele tantas vezes que sentiu que precisava atender dessa vez.
Mas o destino adora coincidências.
Assim que o dedo de Cora deslizou pela tela para atender, pelo canto do olho, ela notou a figura alta de Bernardo surgindo na sala de estar.
Com um susto involuntário, ela desligou a chamada imediatamente, antes mesmo de dizer alô.
As palmas das mãos de Cora ficaram um pouco suadas.
Ela tinha medo de que Daniel ligasse de novo, e também de que Bernardo resolvesse implicar com ela.
Exteriormente, porém, ela mascarou suas emoções perfeitamente.
Ela direcionou um olhar sereno para Bernardo.
O celular continuava firme em sua mão.
— Estava no telefone? — Bernardo perguntou em tom casual.
Mas ele tinha percebido o movimento brusco de Cora ao desligar.
Ela estava na defensiva.
Então, de quem era a ligação?
Ele caminhou silenciosamente na direção dela.
Evidentemente, Cora não tinha intenção de se explicar. Sua resposta foi insossa:
— Acho que era telemarketing.
Bernardo a encarou, em silêncio.
O olhar fixo dele a deixou com um leve formigamento de nervosismo, minando sua calma.
Quando ela estava prestes a ceder sob a pressão, Bernardo emitiu um som seco de concordância e não insistiu no assunto.
Só então Cora conseguiu respirar aliviada.
— Arrume-se, você vem comigo para um jantar de gala hoje. — Bernardo mudou de foco.
Ao ouvir isso, Cora franziu a testa, prestes a recusar por puro instinto.
Bernardo, no entanto, deu um passo à frente e baixou a voz.
Com um tom grave, ele lembrou cada palavra do acordo a ela:
— Não esqueça do nosso acordo. Eu assinei, e isso significa que, até ela voltar, você continua interpretando comigo, entendeu?
Enquanto falava, a mão de Bernardo subiu repentinamente para acariciar a bochecha de Cora, seu olhar se tornando ainda mais sombrio.
— Cora, caso contrário, eu posso rescindir o acordo a qualquer momento, certo? — A frase carregava uma clara ameaça.
— Você... — Cora engasgou, sem palavras.
Bernardo a soltou.
Ela era uma mulher independente, mas havia se transformado na sombra, na substituta de outra.
Aquela equipe pertencia a Adelina.
Fazê-la usar aquilo, de forma tão óbvia, era mais um insulto deliberado.
— Pronto. Tem algo que não gostou? — O estilista perguntou.
A pergunta, no entanto, carecia de sinceridade. Era um mero formalismo desdenhoso.
O jantar estava marcado para as 19h30, e o tempo já estava esgotando.
Os assistentes ao lado já começavam a guardar os equipamentos.
Bernardo aguardava sentado no sofá, aparentemente sem demonstrar impaciência.
Wilson estava ao seu lado, discutindo alguns assuntos com ele.
O tempo todo, Bernardo nem sequer havia olhado na direção de Cora.
Cora baixou os olhos, sem responder de imediato.
A paciência do estilista se esvaiu rapidamente:
— Sendo assim, vou considerar que está tudo perfeito.
Dizendo isso, ele se virou para recolher suas próprias ferramentas.
— Eu não gostei. Refaça tudo. — Cora disse com uma calma gelada.

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