— Você... Bernardo, me solte. — Cora tentou virar a cabeça para se afastar.
Mas a mão de Bernardo rapidamente agarrou o queixo dela, forçando-a quase de forma bruta a olhar para ele.
Cora não conseguia se mexer.
O olhar de Bernardo tornou-se afiado, cravando-se em Cora sem piscar.
— Você conhece o Daniel? — Bernardo foi direto ao ponto.
Sem pensar duas vezes, Cora negou:
— Eu não conheço o Sr. Colombo.
A negação foi rápida demais, e em seus olhos havia um evidente traço de culpa.
Bernardo percebeu com um único olhar que Cora estava mentindo.
O aperto de sua mão ficou mais firme.
Cora franziu a testa por causa da dor.
Sentiu como se seu queixo fosse ser esmagado pelos dedos de Bernardo.
— Cora, você conhece o Daniel! — A frase não foi uma pergunta, mas uma afirmação.
Cora enrijeceu por um instante e não respondeu.
Porém, essa atitude já confirmava as suspeitas dele.
Bernardo soltou uma risada de escárnio e, enfim, a largou.
Na pele pálida do queixo dela já havia marcas vermelhas bem nítidas.
Bernardo endireitou a postura novamente e, com toda a calma do mundo, terminou de se vestir na frente de Cora.
Até abotoar o último botão da camisa, seus olhos não desviaram dela nem por um segundo.
Foi um curto intervalo de tempo, mas para Cora, pareceu uma verdadeira tortura.
Pois era impossível decifrar o que Bernardo faria a seguir.
Suas mãos se fecharam em punhos, suadas pelo nervosismo.
Até que a voz de Bernardo ressoou mais uma vez.
— Cora, você é bem mais astuta do que eu imaginava. Primeiro o Henrique, agora o Daniel... Tem mais algum homem que eu não saiba? — Bernardo falou com sarcasmo venenoso.
— E você conta com o Daniel? Acha que a Família Colombo é fácil de lidar? Eles são a elite no topo da pirâmide em Luzia do Mar, e Daniel é o único herdeiro.
— A teia de relações da Família Colombo é complexa e não admite erros. Como eles permitiriam que uma mulher divorciada, que já teve um filho, entrasse para a família?
— Mesmo que não fosse por isso, com o status e o prestígio que eles têm em Luzia do Mar, jamais permitiriam que uma coisa dessas acontecesse.
Dizendo isso, Bernardo deu um sorriso frio.
Cada palavra era como uma lâmina, cortando fundo no coração de Cora.
— Cora, você não serviria nem para ser amante na Família Colombo, ouviu bem? — Bernardo concluiu o pensamento. — Portanto, pare de sonhar acordada.
A última frase soou como um aviso letal.
Cora ficou extremamente quieta.
Só depois que Bernardo terminou de falar é que ela ergueu a cabeça para olhá-lo.
— E isso não seria melhor do que a situação em que me encontro agora com você? — Cora subitamente o questionou.
A expressão de Bernardo mudou drasticamente.
Parecia que, agora, nenhuma palavra era capaz de abalar Cora.

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