Cora continuou ouvindo, sem interromper Patricia.
Quando Bernardo começou a segui-la, ela já tinha imaginado que isso aconteceria.
— Mas isso não é uma coisa boa. Os fãs da Adelina estão te amaldiçoando nos comentários, dizendo as coisas mais horríveis possíveis.
— ...
— Então, esse é o novo método do Bernardo para te torturar? Tortura psicológica?
Patricia terminou de falar, cheia de preocupação.
Ela realmente acreditava nisso, afinal, não havia limites para o que Bernardo seria capaz de fazer.
E Patricia conhecia muito bem a natureza da relação entre Cora e Bernardo.
Ela não seria ingênua a ponto de achar que Bernardo tinha se apaixonado subitamente por Cora.
Somando isso à situação atual, era impossível não ficar preocupada.
— Acho que não — respondeu Cora, em tom neutro. — Se ele quisesse me torturar, haveria muitas outras formas. Ele não precisaria me seguir e instigar os fãs da Adelina a virem atrás de mim. Afinal, eu posso simplesmente não olhar o Twitter. Isso não me afeta em nada.
— É verdade — concordou Patricia, assentindo. — Então o que exatamente o Bernardo está tentando fazer?
— Fazer um show para a Adelina ver — respondeu Cora, de forma direta.
Aquelas palavras deixaram Patricia sem argumentos.
Diante da situação, ela já nem sabia mais o que aconselhar.
Houve um momento de silêncio na linha. Depois de um longo tempo, Patricia finalmente quebrou a quietude.
— Cora, agora que a Adelina voltou, o que você pretende fazer? — perguntou.
Cora ficou em silêncio por um instante, parecendo refletir.
— Não importa se a Adelina voltou ou não. Eu só poderei ir embora depois que este bebê nascer — respondeu Cora, após um tempo.
Aquilo também fazia parte do acordo.
Só depois de a criança nascer e Bernardo conseguir as ações, o vínculo entre eles estaria definitivamente encerrado.
Patricia não respondeu.
Mas, por algum motivo, uma sensação de inquietação tomou conta dela.
Tinha a constante impressão de que mais coisas ainda estavam por vir.
Ela só não sabia dizer o quê.
No fim, ela apenas deixou um aviso a Cora:
— Meninas também são tão agitadas assim?
A pergunta repentina pegou Cora de surpresa.
— O quê? — ela retrucou por instinto.
— Eu perguntei se a criança na sua barriga não é uma menina. Achei que as meninas fossem muito mais quietinhas — explicou Bernardo.
A menção ao bebê fez Cora relaxar.
Seus olhos irradiavam aquele brilho característico do amor materno.
Até a sua postura se tornou visivelmente mais terna.
Apenas quando o assunto era o bebê, ela e Bernardo conseguiam encontrar aquele raro momento de paz.
— Bebês com esse tempo de gestação são bem ativos porque ainda têm espaço — explicou Cora. — Caso contrário, ficaria muito desconfortável presa dentro dessa barriga tão pequena.
Bernardo emitiu um som de concordância.
A sua mão continuava a acompanhar os movimentos do bebê pela barriga dela.
Cora apenas observava aquilo e, de repente, voltou a falar:
— Não tem nada de mau em ser agitada. Pelo menos, no futuro, ela não será intimidada pela Adelina.

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