Afinal, os acontecimentos daquele dia já o haviam deixado completamente desnorteado.
Diante daquela situação, Zander engoliu em seco e respondeu:
— Sim. A Sra. Botelho continua lá embaixo.
— Ah... — A atitude de Cora era indecifrável.
Zander não ousou hesitar e olhou imediatamente para Bernardo.
— Sr. Pereira, a tempestade lá fora está cada vez mais forte. Nós já tentamos convencê-la, mas a Sra. Botelho simplesmente se recusa a ir embora. Acho que o senhor terá que ir pessoalmente falar com ela. — Zander tentou ser o mais diplomático possível.
O único objetivo de Adelina era, sem dúvida, ver Bernardo.
Queria forçá-lo a aparecer na sua frente de qualquer maneira.
Por isso, os esforços de Zander e dos outros criados eram inúteis.
Só Bernardo tinha algum poder ali.
Uma única palavra dele valeria mais do que mil apelos deles.
— Afinal, a Sra. Botelho está grávida, e eu temo que algo ruim aconteça. — Zander estava apenas sendo sincero.
Se algo acontecesse na propriedade dos Pereira, as consequências não seriam nada boas.
Sem falar no status de Adelina, que aparecera de forma tão repentina na residência.
Conhecendo Adelina como conhecia, Zander sabia que ela não faria isso sem algum tipo de preparo.
Era quase certo que havia repórteres escondidos pelas redondezas.
Se houvesse qualquer escândalo, os problemas que se seguiriam seriam incalculáveis.
E, no fim das contas, quem pagaria o pato seriam os empregados.
A situação já havia chegado a um ponto crítico.
O som da chuva batendo contra as janelas de vidro aumentou.
Todos dentro do quarto podiam ouvir com clareza.
Naquele clima tenso, todos pareciam prender a respiração, aguardando a resposta de Bernardo.
E Cora não era exceção.
Bernardo, claro, tinha plena consciência disso, e uma irritação inexplicável começava a tomar conta dele.
Era tanto pela postura impositiva de Adelina quanto pela indiferença atual de Cora.
Seu olhar frio pousou sobre Zander:
— Ela é uma adulta e sabe muito bem o que está fazendo. Se quer esperar, então que espere.
A resposta pegou Zander de surpresa.
Mas o mordomo não disse nada; apenas acenou com a cabeça e saiu rapidamente do quarto.
A suíte principal mergulhou no silêncio.
Até mesmo Cora achou estranha a decisão de Bernardo.
Foi algo que a pegou totalmente desprevenida.
O quarto voltou a ficar escuro.
Ela se recostou silenciosamente em seu canto e caiu em um sono profundo.
Bernardo também não disse uma palavra.
Ele ficou de pé ali por um longo tempo.
Fosse por ter sido afetado por Adelina, ou provocado pela atitude de Cora...
O fato era que a expressão no rosto de Bernardo era terrivelmente sombria.
Por fim, ele não permaneceu no quarto, saindo apressadamente.
Cora ouviu o movimento, mas continuou em silêncio.
Ela dormia de forma inquieta, sentindo um desconforto crescente devido aos movimentos agitados do bebê em seu ventre.
Sua mão repousou sobre a barriga, tentando acalmar o bebê.
Diferente das outras vezes, parecia que agora não estava adiantando nada.
Cora franziu a testa, percebendo aos poucos que algo estava muito errado.
A dor em seu abdômen tornava-se cada vez mais evidente.
Um suor frio já começava a escorrer por sua testa.
Ela fez um esforço para se sentar, mas a intensidade da dor não diminuiu nem um pouco.

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