Ela estava de pé, perto da janela, banhada pela luz da manhã, com uma das mãos repousando suavemente sobre a própria barriga.
O olhar abaixado acompanhava o gesto.
Apenas por essa simples cena, era possível sentir a ternura e a serenidade que emanavam de Cora naquele momento.
Mas toda aquela doçura era destinada exclusivamente ao bebê, e não a si mesma.
Do lado de dentro, Cora pareceu sentir o peso do olhar de alguém a observando.
Ela franziu a testa e virou-se para a porta.
Foi então que notou a presença de Bernardo.
Os dois trocaram um olhar através do vidro.
Mas o rosto de Cora continuou impenetrável, sem a menor centelha de alegria por vê-lo.
Quem dirá algum sinal de que ainda se importava com ele.
Em questão de segundos, Cora desviou o olhar, ignorando a existência de Bernardo por completo.
Aquela cena fez a irritação de Bernardo explodir.
Sem paciência, ele empurrou a porta e entrou bruscamente, com a expressão congelada, parando bem na frente dela.
O impacto da porta contra a parede fez um estrondo alto.
Cora franziu a testa, levantou o olhar para encará-lo, mas continuou calada.
— Cora, por que essa cara amarrada? — Bernardo disparou, no tom de um interrogatório.
Cora respondeu com uma calma inabalável:
— Você está imaginando coisas. Eu só estou esperando o meu café da manhã.
Assim que ela terminou a frase, uma funcionária do hospital entrou no quarto de forma oportuna.
Ao notar a figura intimidante de Bernardo, a mulher congelou.
Mas logo se recompôs e cumprimentou:
— Bom dia, Sr. Pereira.
Em seguida, ela se voltou para Cora:
— Senhora, aqui está o seu café da manhã.
— Pode deixar aqui em cima, por favor. — Cora agradeceu com um aceno de cabeça.
Bernardo assistiu a tudo com os olhos semicerrados.
Quando Cora falava com a funcionária, sua voz soava imensamente gentil.
Uma postura que era o completo oposto da frieza com que o tratava.
Como Bernardo poderia engolir aquilo?
Durante toda a interação, Cora sequer olhou na direção dele.
Tratou-o como se ele fosse completamente invisível.
Ele soltou um riso sarcástico.
No segundo seguinte, com um movimento violento, lançou a bandeja de café da manhã longe com um movimento violento, espalhando tudo pelo chão..
O cheiro de comida misturada no chão começou a embrulhar seu estômago.
Porém, assim que ela passou por Bernardo, ele agarrou seu pulso com força.
Ela ergueu os olhos frios para ele.
— Cora, pare de se fazer de santa na minha frente. — Bernardo sibilou cada palavra como um aviso.
— Eu não estou fazendo nada. — Cora rebateu com a mesma calma.
Desde o início, foi Bernardo quem invadiu o quarto e, sem motivo algum, destruiu o café da manhã dela.
E agora ele tentava jogar a culpa daquele espetáculo ridículo nela?
Dizendo que ela estava encenando.
Mas Cora estava cansada demais até para se defender.
Se o veredicto já havia sido dado, de que adiantava argumentar?
— Cora, não me provoque, ouviu bem? — Bernardo rosnou, baixando o tom de voz.
Cora continuou parada, inabalável.
No segundo seguinte, ele levantou a voz, soando quase autoritário:
— Faça os seus exames matinais e volte para casa imediatamente!
— Tudo bem. — Ela aceitou a ordem com obediência.
Ainda sustentando a mesma expressão serena, como se não se importasse com nada.

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