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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 356

— O que eu estou perguntando é: que tipo de discussão vocês tiveram no dia do acidente a ponto de você esfaqueá-la? — Bernardo foi direto ao ponto.

Cora ficou em silêncio; não esperava que Bernardo lhe fizesse essa pergunta.

E essa era uma pergunta que, nos últimos tempos...

A polícia já havia repetido um número incontável de vezes.

Era como uma tortura mental exaustiva.

Feita para desgastá-la até que confessasse o crime.

— Eu já dei a mesma resposta para a polícia centenas de vezes. — Cora virou-se, encarando Bernardo fixamente.

Bernardo conteve suas emoções:

— Mas eu quero que você me diga.

Cora apenas o observou.

De repente, ela soltou uma risada e assentiu:

— Tudo bem, eu digo.

Durante toda a explicação, ela não desviou o olhar nem por um segundo.

— Nós não tivemos uma grande discussão. Foi apenas ela me provocando de um lado, e eu retrucando do outro.

Ao dizer isso, Cora não demonstrava qualquer emoção.

Ela fez uma breve pausa:

— Eu não sei de onde ela tirou aquela faca. Quando ela avançou contra mim, foi puro instinto humano de defesa, e eu segurei a lâmina. Em seguida, ela agarrou a minha mão e cravou a faca no próprio ventre.

Cora relatou o ocorrido de forma mecânica e entorpecida.

Talvez por já ter repetido a história vezes demais.

Ou talvez por algum outro motivo mais profundo.

Surpreendentemente, ao ouvir aquelas palavras, Bernardo foi incapaz de discernir se eram verdade ou mentira.

Mas a história ainda lhe soava absurda.

— Mais alguma pergunta? — Cora ergueu a cabeça, mantendo os olhos nele.

— Se não há mais nada, preciso entrar para os meus exames pré-natais. — Cora não lhe deu mais atenção.

No entanto, ela não podia negar.

Quando Bernardo tocou no assunto...

Ela ainda nutria um fio de esperança.

Mas agora, essa esperança lhe parecia apenas uma ironia cruel.

Se ele acreditasse nela, ela não teria chegado àquela situação deplorável.

Pensando nisso, Cora abaixou a cabeça e soltou uma risadinha autodepreciativa.

Ele não atendeu de imediato.

Deixou o aparelho tocar por um bom tempo antes de aceitar a chamada.

Seus olhos semicerrados ocultavam perfeitamente todas as emoções que fervilhavam por dentro.

Ao mesmo tempo, dentro do quarto de hospital.

Adelina não conseguia acreditar no que seus ouvidos captavam.

Ela estava paralisada ao lado da porta.

Lá fora, as enfermeiras conversavam.

Completamente alheias ao fato de que a paciente havia acordado.

Como o temperamento de Adelina andava péssimo ultimamente...

Todos evitavam entrar no quarto a menos que fosse estritamente necessário.

— Os olhos da Adelina... se continuar assim, não vai ter jeito.

— Eu também ouvi. Da última vez que o médico falou, a porta estava entreaberta. Resta pouco tempo e, com todo o estresse que ela passou recentemente, dou no máximo um mês, e olhe lá.

— Vou te contar uma coisa: eu achava que o Sr. Pereira amava a Adelina, mas agora já não tenho tanta certeza.

— Como assim? Sempre que acontece algo com ela, o Sr. Pereira vem correndo.

A voz da enfermeira baixou para um sussurro, quase colada ao ouvido da colega.

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