Depois de higienizar-se e vestir as roupas de proteção adequadas, Bernardo entrou na UTI.
O médico acabara de tratar a ferida de Cora.
Ao notar a presença de Bernardo, franziu a testa.
A sua expressão parecia um misto de desaprovação e conformismo.
Por fim, o médico se levantou e caminhou em direção a Bernardo.
O médico alertou-o com firmeza:
— Sr. Pereira, eu peço que não cause mais qualquer tipo de agitação nela.
Tudo o que precisava ser dito já tinha sido esclarecido.
Até mesmo o que não deveria havia sido falado.
Cora era alguém que a equipe havia se esforçado ao máximo para resgatar das garras da morte.
Se houvesse mais algum contratempo, nem o maior milagre da medicina poderia salvá-la.
Bernardo concordou em silêncio com um aceno.
O médico e a enfermeira saíram da sala, mas não foram muito longe; permaneceram logo na porta.
Estavam apreensivos com o que pudesse ocorrer ali.
Bernardo caminhou em silêncio na direção de Cora.
Ela estava consciente.
Mas assim que viu Bernardo, ficou claro em seus olhos o quanto sentia aversão por ele.
Um profundo estado de defesa.
O olhar dela era totalmente diferente daquele repleto de amor que Cora costumava ter no passado.
Agora, o sentimento entre eles abrigava mais ressentimento do que se fossem grandes inimigos.
Bernardo sabia disso; mas sem se importar, continuou avançando.
O corpo de Cora estava completamente desprovido de qualquer força.
Ela ardia em febre.
A dor excruciante nas suas feridas somava-se ao fato de não estarem cicatrizando.
Mesmo os fortes analgésicos intravenosos administrados pelo médico eram inúteis.
E a febre alta não apresentava nenhum sinal de melhora.
A medicação receitada era potente; quando surtia efeito, a temperatura caía para cerca de 37,6 graus.
Porém, assim que o efeito terminava, o seu corpo voltava imediatamente para os 39 graus ou mais.
Essa constante oscilação alarmava a todos os médicos.
Mesmo com o corpo fragilizado daquela maneira, Cora não demonstrou o mínimo sinal de submissão ao ver Bernardo.
Pelo contrário, a repulsa dela crescia ainda mais.
Cada palavra soava difícil, porém ela se esforçava para articular com clareza:
— Eu sei que o Nicolas morreu. — disse Cora com grande dificuldade.
Bernardo não respondeu, mas também não negou.
Apenas ficou parado em frente a ela, com uma mão no bolso.

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