As palavras de Cora começaram a sair cada vez mais embaralhadas e agitadas.
— E falando da Noelia, Bernardo, ela também era sua filha. Por mais que você não gostasse dela, ainda carregava o seu sangue. Como pôde ser tão cruel com ela?
— O médico tinha dito que a Noelia estava melhorando, que ela estava lutando muito para viver. Mas então o quadro mudou de repente. Você não desconfiou de que havia algo errado?
— Noelia era só um bebezinho, com poucos dias de vida. Quem se sentia ameaçado com o nascimento dela? Você, no fundo, não sabe a resposta?
— Somente a Adelina; para ela, a existência de Noelia era uma ameaça enorme. Ela temia que, enquanto Noelia existisse, você e eu continuaríamos amarrados um ao outro. Com a morte de Noelia, só aí ela pôde ficar tranquila de verdade.
Bastava Cora mencionar Noelia para que desmoronasse instantaneamente.
Em apenas alguns dias, Cora tinha emagrecido ainda mais.
Estava tão frágil que parecia que qualquer brisa poderia derrubá-la.
E o nome de Adelina era repetido por Cora incessantemente.
A expressão de Bernardo ia ficando cada vez mais severa.
— Cora, já chega! — Ele repreendeu, furioso.
Houve um momento de silêncio no ambiente.
Mas o olhar de Cora não desgrudou de Bernardo.
Bernardo indagou:
— Agora você vai botar a culpa na Adelina por tudo o que acontece?
Para Cora, aquelas palavras eram, novamente, uma defesa de Adelina.
Cora já estava acostumada.
Ela não se importou e manteve sua posição com teimosia:
— Me devolva a Noelia. Eu só quero a Noelia.
— Noelia morreu, ela se foi! E não vai mais voltar! — Bernardo rugiu em resposta.
— Ela não precisava ter partido, ela poderia ter sobrevivido! O lugar onde ela estava não tinha câmeras de segurança? Por que você não as verificou? Eu ouvi claramente as enfermeiras cochichando que a condição dela piorou de repente porque trocaram o medicamento. Quem seria capaz de algo tão monstruoso com uma bebê que nem completou um mês?!
Cora também gritou em resposta.
Seu corpo doía por causa da cirurgia, mas a dor física nem se comparava com a punhalada que sentia no coração.


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