Ela nem mesmo se esquivava de falar sobre qual tipo de vestido de noiva gostava.
E, no caso de um casamento, onde a cerimônia seria realizada.
Isso era algo que jamais havia acontecido com a Adelina do passado.
Agora as suas indiretas eram mais do que óbvias.
Quanto mais assistia, mais Cora ficava silenciosa.
Ela largou a colher e desligou a televisão.
Enquanto Adelina gozava de um grande sucesso, Cora era incapaz de encontrar os responsáveis e as provas da morte de sua própria filha.
Mesmo que Cora tivesse a resposta em seu coração, o que poderia fazer?
Nada. Absolutamente nada.
Era uma sensação de impotência total.
Uma pressão que praticamente tirava todo o seu ar.
Cora nem sequer tinha uma maneira de aliviar essa tensão.
Com exceção do mordomo e dos funcionários da mansão, não conseguia contactar mais ninguém.
Por fim, continuou encolhida e imóvel em sua cadeira, envolta em silêncio.
Como se estivesse dormindo.
No meio do dia, Bernardo telefonou, e o mordomo o atendeu.
— A Sra. Pereira tomou um pouco de sopa e tem ficado sentada na cadeira perto das portas de vidro, sem se mexer. — O mordomo relatou a situação honestamente.
Bernardo resmungou uma resposta:
— Ela disse alguma coisa?
— Não, a senhora não disse uma palavra, além de um simples e educado "obrigada". — O mordomo continuou.
Nos últimos tempos, Cora limitava-se a duas palavras apenas.
"Obrigada" e "Tudo bem".
E nada mais, além disso.
O mordomo hesitou, ponderando se deveria informar Bernardo sobre o que vira antes.
Mas, no fim, a confissão morreu em seus lábios.
Pois quando Cora assistira à televisão, ficou apenas em silêncio.
Sem qualquer reação emocional aparente.
Bernardo escutou e deu uma ordem gélida:
— Fique de olho na minha esposa, não permitirei nenhum imprevisto.
— Sim, senhor. — O mordomo assentiu.
E então Bernardo desligou o telefone.

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