As histórias sobre o profundo e trágico romance entre Bernardo e Adelina também ressurgiram.
Cora tornou-se, mais uma vez, a vilã absoluta da história.
Ela podia suportar calada qualquer ofensa voltada contra ela.
Mas jamais toleraria que espalhassem tamanhas mentiras sobre Noelia.
Tratava-se apenas de um bebê, mas, nas palavras daquelas pessoas, ela era retratada como um verdadeiro demônio.
Um monstro imperdoável.
E para piorar, até fotos de Noelia haviam surgido não se sabia de onde.
Eram fotos tiradas no necrotério.
Estavam fazendo de tudo para desumanizá-las ao extremo.
Havia quem amaldiçoasse Noelia, desejando que sua alma nunca encontrasse descanso, ou que, se reencarnasse, voltasse como um bicho imundo.
Aqueles comentários eram extremamente cruéis e venenosos.
Os espectadores de fora apenas se divertiam com o circo.
Mas Cora era a mãe de Noelia.
Era simplesmente insuportável engolir todo aquele ódio destilado.
Aquilo estava, pouco a pouco, a empurrando para a beira da loucura.
A estabilidade que ela havia lutado tanto para reconquistar desmoronou completamente.
Ela começou a chorar.
Um pranto baixinho, quase inaudível.
Porque não queria preocupar Daniel, que estava na sala.
Mas seu coração sangrava pela injustiça feita a Noelia.
E, ao lembrar que sequer havia conseguido resgatar as cinzas de sua filha...
Cora desabou por completo.
Seu psiquiatra já havia avisado: Cora havia se trancado no alto de uma fortaleza isolada.
Sem ter como escapar.
E se alguém continuasse a forçá-la, a situação poderia se tornar extremamente perigosa.
Não perigosa para os outros, mas para si mesma.
Cora tinha total consciência disso.
Não era uma conta recém-criada, apenas era raramente usada.
Não tinha sequer o selo de verificação, mas o perfil oficial de relações públicas do Grupo Colombo seguia a conta dele.
A biografia de Daniel tinha apenas o seu nome: Daniel.
E não dizia absolutamente mais nada.
Mas ali estava Daniel, respondendo às publicações de fofoca, marcando Adelina diretamente.
O comentário de Daniel dizia: “Pare de se esconder nas sombras como uma covarde. Tantos anos bancando a amante e nunca conseguiu ser oficializada. Acha que sabe fazer alguma coisa além de usar truques baixos e imundos? Se tem coragem, dê as caras e xingue abertamente. Quanta falta de vergonha na cara para atacar uma bebê indefesa! E a sua própria sujeira, já esqueceu? Ou está esperando eu expor todos os seus podres para o mundo todo ver?”
Aquela mensagem direta não foi apenas uma resposta; ele também a retuitou em seu próprio perfil.
Mas ele não parou por aí. Daniel também mirou nos fãs mais fanáticos e cegos de Adelina.
“Quantos anos você tem? E ainda tão ignorante? Se a Adelina mandar você pular da ponte, você pula? Quanto seus pais ganham por ano para você torrar o dinheiro deles com essa aí? Se tivesse gastado todo esse tempo estudando, talvez já tivesse passado numa famosa universidade. Em vez de ficar perdendo tempo nessa faculdade de quinta categoria. Se eu fosse seu pai, preferiria não ter te colocado no mundo!”
Daniel nunca teve o hábito de adoçar as palavras.
Nem na época em que Cora insistiu em se casar com Bernardo ele havia polpado críticas.
Muito menos agora, lidando com um bando de internautas fúteis.
A explosão súbita de Daniel fez com que a enxurrada de comentários paralisasse por um momento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....