Ela sabia exatamente como empurrar Cora para a loucura, até que a própria vida lhe parecesse insuportável. Ao encarar Adelina, a mente de Cora parou de funcionar. Lembrou-se de Noelia. Da morte grotesca de Rebeca diante de seus olhos. Do futuro promissor de Raquel reduzido a um estado vegetativo. Do fim trágico de Nicolas. A dor a inundou. Ela arfava com dificuldade, cravando os olhos em Adelina, incapaz de se mover. Para sua surpresa, a mulher deu um passo em sua direção.
— Fique tranquila. Eu não sou idiota de arriscar a minha própria pele. — Falava de assassinato com a mesma naturalidade de quem comenta sobre o clima. — Mas quem tiver que morrer, eu não vou poupar, entendeu? Eu bem que tentei jogar a culpa de um daqueles assassinatos nas suas costas, mas que pena... Você tem mais sorte do que parece. Tsc, tsc.
Cora continuou calada, todos os músculos de seu corpo repuxados como fios de alta tensão. Adelina já estava colada nela.
— O que foi? Não estava louca para saber onde foram parar as cinzas daquela bastardinha? — Adelina riu com escárnio. — Como nós poderíamos guardar uma coisa tão agourenta? Você acha que não sobrou ninguém na Família Pereira? A Dona Pereira ainda está viva. Acha mesmo que o Bernardo iria contrariar a própria mãe?
O olhar de Adelina exalava uma malícia tóxica. Ela estreitou os olhos.
— Aquele potinho vagabundo, ai, ai... Jogamos as cinzas no lixo. Foram parar direto num aterro sanitário. A essa altura, já devem ter se espalhado no meio da podridão. Aquela peste nojenta merecia ter a alma estilhaçada, não merece reencarnar nem como bicho, quanto mais como um ser humano. Se aquela criatura tiver que culpar alguém, que culpe o próprio azar de ter escolhido nascer do seu ventre. Se você fosse inteligente, Cora, nunca teria colocado aquela aberração no mundo. Sabe disso, não sabe?
Cada palavra de Adelina era extremamente sádica e cruel. Eram golpes diretos na ferida aberta de Cora. Ela não tocou na mulher, não a agrediu fisicamente. Mas foi o suficiente para destroçar o que restava da sua razão. Após disparar seu veneno, Adelina deu as costas e fez menção de ir embora, ignorando Cora completamente. De repente, Cora a agarrou. Adelina baixou os olhos para a mão pálida que a prendia, seu semblante escurecendo.
— Vai me bater? Quer ir para a cadeia? Olha, Cora, se você for presa agora, garanto que não vai sair nunca mais.


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