Cora continuava a tremer. Ela parecia dominada pelo terror e pela culpa extrema. Daniel apenas a embalava, sussurrando palavras de conforto sem parar. Aos poucos, ela aparentou se acalmar, mas seu olhar tornava-se cada vez mais vazio e inexpressivo.
— Cora!
Ele a chamou suavemente. Cora virou o rosto para encará-lo com movimentos robóticos.
— Pare de pensar nisso. Nada disso é culpa sua, você fez tudo o que podia. — Daniel foi direto ao ponto. — Venha comigo. Não fique mais em Lagoa Cristalina. Eu cuido do resto. Confie em mim.
Cora permaneceu em silêncio, deixando a dúvida se havia aceitado ou não. Apenas continuou a olhá-lo fixamente.
— Me obedeça. Venha comigo. Nós vamos voltar para Boston.
A voz dele soou irredutível. O médico já o havia alertado. A melhor coisa para Cora era deixar Lagoa Cristalina. Uma mudança total de cenário e um ambiente novo talvez a ajudassem a esquecer gradualmente tudo o que sofrera ali. Aquela calma superficial era uma farsa. Qualquer pequeno gatilho poderia causar um surto. Ele não podia prever o que seria. Ficar em Lagoa Cristalina era perigoso demais. Mais uma vez, Cora não respondeu. Daniel decidiu não insistir verbalmente. Se ela se recusasse, a levaria à força, mas agora, o importante era acalmá-la. E ela continuou imersa em seu silêncio profundo. Até que, de repente, ergueu a cabeça e olhou fundo nos olhos dele.
— Daniel, eu sou amaldiçoada. Se você continuar perto de mim, mais cedo ou mais tarde, a tragédia vai te alcançar também.
A voz dela saiu assustadoramente serena.
— Que bobagem. Eu tenho o corpo fechado. A sua maldição não me atinge.


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