Enquanto isso, às dez horas.
Bernardo apareceu pontualmente no térreo do edifício.
O assistente de Cora estava à sua espera:
— Sr. Pereira, a Sra. Fernandes já o aguarda.
Bernardo assentiu levemente, em um gesto de reconhecimento.
O grupo seguiu na direção do elevador.
Foi na sala de reuniões que Bernardo se encontrou com a equipe de Cora.
No momento em que a porta se abriu, Cora cruzou os olhos com Bernardo com total tranquilidade.
Ao cruzar o olhar com o dela, Bernardo foi pego de surpresa.
Ele estava em Luzia do Mar há apenas dois dias e já era a terceira vez que via aquela mulher.
A primeira tinha sido no estacionamento do aeroporto; a segunda, no hospital.
Ela havia deixado uma marca profunda nele por causa do seu nome e da semelhança dos seus olhos.
Mas Bernardo jamais imaginaria que a misteriosa líder da IGM, empresa que formaria uma parceria vital com o Grupo Pereira, fosse a mesma Cora.
Ele ficou em silêncio por um breve momento.
— Olá, Sr. Pereira. — Cora tomou a iniciativa de cumprimentá-lo, estendendo a mão com calma.
Bernardo não evitou o seu olhar; sustentou-o de igual para igual.
Em seguida, ele apertou a mão dela:
— Olá, Sra. Fernandes.
Cora deu um leve sorriso, acompanhado de um breve aceno de cabeça.
Com um brilho de indiferença e distanciamento nos olhos, ela acomodou-se em seu lugar com total elegância.
Bernardo sentou-se na cadeira ao lado dela.
Durante todo o tempo, Cora não dirigiu mais a palavra a Bernardo.
A reunião começou rapidamente.
Enquanto os slides passavam na tela, o gerente do projeto discursava de forma eloquente sobre a direção daquela parceria.
Cora escutava com extrema atenção, os seus olhos fixos no telão.
Com as mãos repousadas sobre o colo, ela parecia imersa em pensamentos.
Ainda assim, ela conseguia sentir o olhar de Bernardo cravado nela.
Apesar disso, ela manteve-se impassível.


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