Cora ficou em silêncio.
Ela finalmente compreendia o motivo da raiva repentina de Bernardo.
Era por causa de Caio, não por causa de Adelina.
— Pode entrar. — disse ele, com voz indiferente, à estilista que aguardava do lado de fora há muito tempo.
A mulher entrou, mantendo os olhos baixos e a boca fechada.
Agiu como se estivesse completamente alheia ao momento íntimo que acontecera no provador.
Em pouco tempo, o assunto voltou a ser o vestido.
A estilista fez as marcações para os ajustes finais em Cora.
Bernardo acompanhou tudo em silêncio, como se nada tivesse acontecido, e não tentou quebrar o clima quieto.
Mas o coração de Cora batia acelerado, e sua mente repassava as revelações sobre Caio sem parar.
Ainda assim, ela não conseguia encontrar o ponto-chave daquela história.
E aquela informação fazia com que a agitação em seu interior ficasse ainda mais forte.
Parecia sufocá-la, como se um peso lhe oprimisse o peito.
Até sua respiração começou a ficar ligeiramente difícil.
Apesar disso, por fora, ela não demonstrava nada.
Quando o vestido finalmente ficou pronto, ela saiu da loja com Bernardo sempre a tiracolo.
Ele não se afastou um centímetro sequer enquanto ela fazia a maquiagem e arrumava o cabelo.
Os repórteres de Luzia do Mar assistiam a tudo, trocando olhares confusos.
Mas grande parte das fofocas locais já se concentrava na suposta relação de Cora com ele.
Com o tempo, parecia que todos já haviam se acostumado com a ideia.
Antes de ir ao jantar de gala, Cora conseguiu um momento a sós e tomou seu remédio.
A dose receitada pelo Dr. Amorim já não era suficiente para mantê-la estável.
Ignorando as recomendações, ela tomou não um, mas três comprimidos, até finalmente se acalmar.
Tinha medo de perder o controle naquela noite.
Enquanto ela bebia água para engolir as pílulas, Bernardo apareceu sorrateiramente atrás dela.
— Remédio? Não está se sentindo bem? — perguntou ele, com a voz rouca.
Cora virou-se com calma, e a resposta saiu com naturalidade:
Com uma das mãos no bolso, ele apenas a observou.
Sem nenhuma intenção de pressionar.
— Olho por olho, dente por dente, vida por vida. — respondeu ela sem rodeios.
Durante toda a conversa, Cora nunca pronunciou o nome Adelina.
Mas tudo o que dizia se referia a ela.
Bernardo murmurou em um tom frio.
Ele estava calmo demais, tão calmo que Cora começou a se sentir incerta.
Ela o encarou de forma fixa:
— A relação do Sr. Pereira com sua esposa parece não ser exatamente como eu imaginava, não é?
— E o que você imaginava? — perguntou ele de forma casual.
Cora baixou os olhos e ficou em silêncio por um momento:
— Um amor profundo. Casais de longa data que terminam casando e tendo filhos. O Sr. Pereira sempre marca presença em todos os eventos, coletivas de imprensa, festas de aniversário da Adelina. Entrega todos os recursos possíveis e impossíveis. Todos dizem que o Sr. Pereira a ama até a alma.
As palavras saíram de forma tranquila, mas resumiam perfeitamente tudo o que Cora acreditava ser a relação entre Bernardo e Adelina.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....