E isso também era a pura verdade.
— Onde você ouviu tudo isso? — perguntou Bernardo, mantendo a calma.
— Fofocas. — respondeu Cora, sem tentar se esquivar.
Ele deu um leve sorriso, parecendo indiferente à pergunta dela.
Porém, era exatamente essa atitude dele que a deixava confusa, sem saber o que pensar.
Cora não quis insistir, com medo de que, se perguntasse demais, acabasse revelando sua verdadeira identidade.
Não queria atrair problemas para si.
— Ela e eu não somos o que você pensa. — disse Bernardo, inesperadamente.
Ela ergueu as sobrancelhas, mas não o interrompeu.
— O que eu sentia por ela no início, era de fato um sentimento genuíno. Mas foi muito mais baseado na culpa que eu sentia em relação a ela. Naquela época, fui obrigado a me casar com a minha ex-esposa, então acabei decepcionando a Adelina. Como forma de compensação, acabei cedendo a tudo que ela exigia de mim.
Para a surpresa de Cora, foi ele quem tocou no assunto sobre Adelina.
Cora apenas ficou em silêncio, escutando.
Tudo aquilo ela já sabia muito bem.
Foi exatamente assim que a outra, aos poucos, avançou e acabou tirando absolutamente tudo dela.
Porque Adelina era inteligente demais, e sabia exatamente onde apertar para que Bernardo cedesse.
— Por isso, perante muitas das exigências absurdas dela, eu preferi ceder, movido pela culpa. — continuou ele.
O tempo todo, ele não desviou o olhar de Cora.
Ela teve a estranha sensação de que ele estava dizendo tudo aquilo especialmente para ela.
Por fora, Cora tentava manter a calma.
Fingia estar apenas prestando atenção.
— Cora, quando você cede demais a alguém, com o tempo, a paciência se esgota, e todo aquele afeto que antes existia vai sumindo até desaparecer por completo. — O olhar de Bernardo continuava fixo nela.
— O Sr. Pereira está querendo me dizer que não sente mais nada pela sua esposa, é isso? — perguntou ela, com um leve sorriso enigmático.
Ele não respondeu de imediato.
Mas ela não se importou.
Coincidentemente, a estilista havia retornado.
— Sra. Fernandes, o vestido foi ajustado, pode experimentar novamente. — disse a funcionária, de forma muito cortês.
Sendo alvo do olhar dele, Cora franziu as sobrancelhas levemente. A maneira intensa com que ele a encarava.
A deixava com um calafrio na espinha.
Então, ele se levantou de repente e andou direto na direção dela.
Cora permaneceu impassível.
A estilista, por outro lado, se assustou.
Ao vê-lo se aproximando, deu um passo para trás instintivamente.
— Traga um broche. — exigiu ele com a voz fria.
A funcionária hesitou, mas agiu rápido e pegou um broche de camélia.
Ele o pegou tranquilamente e prendeu no peito do vestido de Cora.
O broche cobriu perfeitamente o decote profundo.
Garantindo que não ficasse nada exposto.
— Pronto. — Ele ergueu os olhos e a encarou. — Estava decotado demais. Não gosto que fiquem te olhando.
Cora ficou sem palavras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....