Bernardo se encontrou sem argumentos.
Só lhe restava observá-la em silêncio.
Cora soube imediatamente que havia acertado o alvo.
— Essa encenação não tem graça nenhuma — desdenhou. — Como já afirmei, nós jamais daremos certo. Seja como for. Sendo eu Cora, ou a Sra. Colombo.
Ela ditou cada uma das palavras com firmeza e repulsa.
Tendo dito o que precisava, não tinha intenção de desperdiçar mais tempo.
Mesmo sem se importar com a hora avançada, virou-se para sair.
Com as memórias restauradas, a localização da Vila Z logo lhe veio à cabeça.
Portanto, não seria impossível arquitetar um plano de fuga dali.
No instante em que ela tentou se desvencilhar, ele apertou-lhe o braço com força.
Com a voz tomada por uma vibração sombria e olhos fixos no rosto dela, ele murmurou:
— Você não é totalmente imune a mim, ou será que é?
Ela abriu um leve e irônico sorriso, fixando o olhar onde a mão dele apertava a sua.
Por fora, não revelou nem sequer uma fresta das suas emoções.
Arrancou o braço do aperto dele sem dizer uma palavra.
— Você acha mesmo que eu sinto algo por você? — rebateu.
— Isso é porque não crio caso com os nossos momentos na cama e aparento ter desejos ou vontades?
— Porque, segundo você, sou incapaz de abandonar o nosso passado e vivo a me prender a ele?
— E até porque cuido bem do seu filho?
A cada frase, as dúvidas pingavam carregadas de veneno e ironia.
Bernardo evitou tanto negar quanto afirmar qualquer coisa.
— Se, no fundo, você já não alimentasse nenhuma expectativa, não precisaria se dar a tanto trabalho — o homem devolveu, perfeitamente frio.
— O que importa se tudo foi por algum objetivo obscuro? As respostas do seu corpo não mentiram — a voz dele desceu alguns oitavos.
Parecia pressioná-la a confessar e se render.
Em um acesso repentino, Cora explodiu numa gargalhada ruidosa.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....