— Mas entre nós, não há perdão ou conciliação. Nem nesta vida, nem nas próximas encarnações, nunca seremos nada.
...
Cada palavra perfurava o ar, afiada e cruel.
Mantinha os olhos gelados focados no rosto dele, despida de qualquer remorso.
Se existia alguma lâmina capaz de abrir o peito de Bernardo, as palavras dela cumpriam esse papel magistralmente.
As pálpebras dele estremeciam, e o rosto se pintava de um tom lívido e perturbador.
Mas Cora apenas ignorou.
— Sobrou alguma pergunta? — provocou de forma sutil e cortante.
— Qual o prazer de subjugar uma mulher cujo falso afeto deve ser sustentado por medicamentos? Nenhum, imagino — ela escarneceu.
— É porque te desprezo desde as profundezas de minha alma. Te desprezo. — as duas últimas palavras foram silabadas.
Então, ela se levantou.
Desta vez, Bernardo não tentou detê-la.
E, sem exitar, atravessou o espaço até a saída.
As dores em seu peito ainda eram contínuas,
decorrentes das intervenções cirúrgicas.
Contudo, não arriscou virar a cabeça.
— Cora — ele chamou de forma repentina. — O seu ódio por mim é realmente absoluto?
— Sim — ela confirmou sem encará-lo. — Se me concedessem um pedido divino, eu apagaria os meus passos do dia em que nos cruzamos. Você já deveria ter assimilado isso, vendo a forma cega com que abri mão de tudo e de mim mesma para te apagar da minha história.
As frases cimentavam uma barreira impenetrável.
A determinação não esmorecia por um segundo.
Ao terminar a sentença, segurou firme o trinco.
Ele pareceu recobrar os sentidos e apressou-se a interrogá-la:
— Onde acha que vai nesse horário?
— Estou em Luzia do Mar, sei perfeitamente encontrar abrigo e proteção — a resposta foi lacônica.
— Deixe que eu te guio — disparou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....