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Ensina-me romance Capítulo 22

Havia algo errado com ele, deduziu enquanto observava os movimentos – ou a falta deles – dos seios enormes e redondos. A mulher rebolava, beijava e gemia furiosamente, mas ele não tirava qualquer prazer disso. Queria que acabasse logo.

Talvez fosse o cabelo. O que dera nela para corta-lo na altura dos ombros e pinta-lo de loiro? Ou as unhas afiadas cravadas em suas costas. Embora nunca se incomodasse com isso antes. O mais provável era que estava estressado e cansado. Aceitar o convite dela naquelas condições fora péssima ideia.

Fátima Câmara tinha sua própria empresa de arquitetura, viajava o mundo com seus projetos e era uma das poucas mulheres com quem Simon se encontrava mais de uma vez. Tinham se conhecido em um bar anos atrás e ocasionalmente, quando estava na cidade, ela o procurava.

Inteligente, sofisticada e independente, ela era uma boa companhia e não desejava nada além de sexo casual. Seu único defeito era o gosto por essências enjoativas e doces. Era uma pena que de todas as coisas que mudara a fixação por fragrâncias adocicadas não fosse uma delas. O perfume que ela escolhera acabara com seu tesão minutos antes, mas fora idiota em levar a transa adiante e agora temia brochar a qualquer instante, o que seria a cereja no topo da sua humilhação.

Por algum milagre conseguiu manter-se firme até o fim e simulou chegar ao orgasmo depois dela. Embora, com o corpo dela estirado sobre o seu, questionasse se ela também fingira.

— Foi fantástico — ela ronronou, mordendo de leve o lóbulo de sua orelha.

Ele gostaria de dizer o mesmo.

— Vou ao banheiro.

— Volte logo.

Desviou antes que ela plantasse um beijo em sua boca e marchou para o banheiro, trancando a porta. Jogou a camisinha vazia no vaso e deu descarga. A última coisa que precisava era deixar a prova de que quase falhara.

Apoiou as mãos na pia e olhou para seu reflexo no espelho. O que viu, ou melhor, não viu, o preocupou. Enxergava através de seu semblante, direto ao ponto que obscurecia seu olhar. Fora péssima ideia encontra-la na casa dela. Se estivesse em seu apartamento tomaria um banho e talvez relaxasse. Ali o único que queria era ir embora e esquecer aquela noite.

Saiu do banheiro, olhou rapidamente para a mulher na cama, fumando, o corpo coberto da cintura para baixo, e começou a recolher suas roupas.

— Já vai?!

— Sim.

— Mas temos a noite toda.

— Tenho que ir para casa — disse, colocando as peças com movimentos apressados.

— Fala como um homem casado.

— Se fosse não estaria aqui.

— Tem certeza?

Caçando e vestindo suas roupas, Simon considerou que a pergunta não merecia resposta. Sentou na cama para calçar os sapatos e teve a cintura enlaçada por Fátima.

— Quer um trago? — ela ofereceu o cigarro entre seus dedos, os peitos espremidos nas costas de Simon.

— Parei de fumar.

— Quantas mudanças.

Ele podia enumera-las nela, mas precisava escapar dali o mais breve possível.

— Isso tem dedo de mulher?

— Sim.

Ela se afastou.

— Ela deve ser especial.

— Com certeza. — Levantou. — É minha mãe.

— Vai embora por causa da sua mãe?!

— Não. Parei de fumar por causa dela. — Não acrescentou que se ela ouvisse metade dos discursos sobre os malefícios do tabaco também pararia. Conversas longas e profundas sobre sua vida eram desnecessárias e adiariam sua partida.

— E ficar aéreo também é culpa dela?

— Minhas preocupações normalmente tem o dedo dela.

— Está preocupado com o que?

Colocou o paletó.

— Coisas do trabalho. — Evitou olha-la. — Tenho que ir.

Paulina fechou a porta e retirou o vestido, dobrando-o com cuidado para recoloca-lo na caixa e guardar no guarda-roupa. Vestiu uma calça e uma blusa social de manga comprida.

Foi para a cozinha, fez chá e buscou no armário a caixa que comprara para colocar remédios antes de ir para o quarto de Simon. Bateu três vezes, sem receber resposta. A porta não estava trancada, então entrou. O quarto estava na penumbra, o único feixe de luz era proveniente do banheiro. Acendeu a luz e colocou a bandeja que carregava no criado mudo.

Olhou para os lados, não podia aguardar que terminasse o banho, era incomodo. Seguiu para o escritório anexo ao quarto, procurou um post-it, escreveu uma mensagem e retornou. Estacou surpresa e imediatamente seu rosto ardeu em chamas, seus olhos arregalaram-se e a respiração falhou.

Céus, ele estava nu!

Ele a viu e parou o movimento de esfregar o cabelo com a toalha.

— Eu... eu... eu...

Ele envolveu os quadris com a toalha.

— Agora consegue falar sem gaguejar?

Estava sério, mas Paulina sabia que se divertia com seu embaraço, planejando dizer alguma gracinha para constrangê-la. Como se precisasse. Desviou o olhar para as próprias mãos, a imagem dele pelado gravada em sua retina.

— Eu... eu...

— Já entendi a parte do “eu”. Porque entrou no meu quarto sem avisar?

— Bati... Você não atendeu e resolvi entrar... — justificou irritada, mais consigo mesma do que com ele. Não era hora de gaguejar. Tinha que ser firme, controlar-se e apagar da mente qualquer parte da anatomia de Simon que não fosse seu rosto.

— Por quê?

— Fiz chá para você tomar com um comprimido... para sua dor de cabeça. — Apontou para o criado mudo e o olhou. Ele a encarava fixamente, parecia enfadado e não divertido como imaginara.

— Melhor ir embora.

Não precisou repetir, Paulina saiu correndo.

Simon sentou na cama e olhou para a bandeja com a xícara de chá e guardanapo com um comprimido. Pegou o comprimido e o engoliu com o chá. Apagou a luz, deitou e fitou o escuro, duvidando que o remédio acabasse com sua dor.

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