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Ensina-me romance Capítulo 21

Não era a primeira vez que reparava e nem era o único a perceber a atração mortífera. Assim que a lamparina atravessava a porta da sala de reunião, os olhos azulados da mariposa a seguiam com avidez.

Quanto mais até se queimar? Era a questão que dominava a mente de Simon. Não muito, supôs quando a mariposa disse algo que fez a lamparina ilumina-se. Só mais uma volta esvoaçante e as asinhas se queimariam na chama ardente.

O que se passava na cabeça de mariposa de Nathaniel para derreter-se em sorrisos para Cherry daquele jeito? E o que a noivinha dele diria se contasse? Simon queria saber sua reação. Não por maldade, apenas por curiosidade. Provavelmente não acreditaria, presumindo que mentia para azucrina-la. Mesmo que a verdade fosse escancarada na cara dela, Simon duvidava que percebesse. A inocência de Paulina beirava a burrice quando se tratava de Nathaniel.

A reunião encerrou-se e Nathaniel parou para conversar com Gabriel. Simon se juntou a eles, como de costume contribuindo pouco na conversa, falando o necessário para não transparecer seu desprazer por estar ali.

Observou Cherry passar por eles e a concentração de Nathaniel sumir. Quando os olhos de Nathaniel cansaram de persegui-la encontraram os atentos de Simon. Segurou a vontade de rir da expressão sem graça do Muller por ser pego secando Cherry como nunca tinha feito com a própria noiva.

— Tenho que ir — Nathaniel declarou, indicando seu funcionário que conversava com Tamara ao comentar: — O Rafael resolvera o que falta. Até semana que vem.

Gabriel o acompanhou até o elevador. Simon preferiu retornar para sua sala, refletindo que Nathaniel passava mais tempo na SaaTore do que com a noiva.

~*~

Em pouco mais de um mês trabalhando na casa de Simon, Paulina estava acostumada às visitas de Mirela. No entanto aquela era diferente, pois seu pai entrara no apartamento logo atrás da Salvatore. Ele carregava duas caixas retangulares brancas, uma grande e outra menor.

— Boa tarde, querida! — Mirela a abraçou.

— Boa tarde, dona Mirela!

— Já disse que não precisa utilizar o dona.

Olhou para o pai, que colocava as caixas na mesinha de centro. Chamar Mirela de maneira informal já era complicado para os padrões que aprendera com os pais, na presença dele lhe incomodava muito mais. Ele não a repreenderia, nem ao menos olhara em sua direção quando entrara, mas sabia que desaprovaria se tratasse Mirela sem o respeito que a posição dela frente a eles exigia.

Depois de acomodar as caixas, Paulo saiu, sem sequer cumprimentar Paulina. No entanto, sua saída deixou a filha aliviada e tranquila diante da informalidade da Salvatore, que parou a sua frente com um enorme sorriso.

— Tenho um presente para você.

— Presente? — relutante, olhou paras as caixas ocupando praticamente a mesa toda. — Não precisa me presentear.

— Infelizmente não poderá usa-lo — anunciou, surpreendo Paulina. — Carlota me contou que Nathaniel quer um casamento civil e discreto. Uma cauda de cinco metros não é nada discreta. — Paulina abriu a boca para negar, dizer que não teria cerimônia na igreja, mas ninguém a impediria de colocar aquele vestido. Mas a fechou com força, imaginando o desagrado de Nathaniel se entrasse no cartório arrastando uma cauda enorme. — Por isso tomei a liberdade – com a aprovação de Carlota – de encomendar esse vestido. — Estendeu a segunda caixa.

Paulina a colocou no colo e retirou de dentro uma versão menor e mais leve do vestido de sua mãe. O corpete era trabalhado do mesmo jeito, mas as mangas e a gola alta tinham sido rejeitadas, assim como o tule por baixo da saia e a longa cauda.

— Demorou algumas semanas, mas hoje, quando recebi a noticia de que estava pronto o busquei e vim correndo lhe mostrar. Não é glamoroso como o de sua mãe, mas é bonito, elegante e discreto como seu noivo deseja.

— Estou sem palavras... É muita gentileza sua. Mas deve ser caro e...

— É um presente. Não aceito recusa e nem devolução. — Paulina abriu a boca para retrucar, mas foi silenciada pelo balançar de pouco caso da mão de Mirela. — Se sua mãe não tivesse dado ouvidos ao Paulo, eu seria madrinha da Paola e de você, assim como queria que ela fosse de Alessandro e Simon. Mas ela acostumou-se a obedecer às ordens tolas das freiras, passando essa obediência cega para Paulo — reclamou, torcendo o nariz para as lembranças do orfanato em que passara toda a adolescência. — Sempre enxerguei vocês como parte da família, jamais como empregadas. Bem, menos o Paulo por culpa daquela pose rígida e distante — comentou, arrancando um sorriso de Paulina. — O que quero dizer é que as amo tanto quanto amo os meus filhos. Aceite o vestido, até porque foi feito sobre medida para você. Agradeça Paola por essa parte.

Emocionada, com os olhos pinicando, sentia as lágrimas quebrando sua resistência quando envolveu Mirela em um abraço apertado.

— Obrigada! Muito obrigada!

— Só seja feliz meu amor. Esse é o maior agradecimento.

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