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Entre Lobos: Vínculo do Destino romance Capítulo 12

UM ANO ANTES

Hoje poderia dizer que foi o dia mais feliz da minha vida. Fui pedida em casamento pelo Christopher, carinhosamente apelidado de Chris. Finalmente estávamos noivos. Estou totalmente apaixonada por ele, e posso sentir que ele também está por mim. Ele é um dos diretores médicos do hospital onde trabalho. Sempre mantivemos nosso relacionamento privado.

Eu não queria que houvesse comentários sobre o fato de eu estar me destacando na minha profissão devido à minha ligação com ele. Estávamos juntos há exatamente quatro anos: três deles enquanto ainda cursava a faculdade e mais um agora atuando na minha área médica.

Sei que as más línguas falarão se descobrirem nosso relacionamento, então até o momento apenas minha amiga de apartamento sabe. Sem mencionar que o Chris também pode ser prejudicado se descobrirem que ele possui um relacionamento com uma de suas subordinadas. Claro que pretendo revelar o fato à minha família, mas a oportunidade ainda não apareceu.

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Hoje, quando cheguei após um plantão agitado de 12 horas, escutei meu telefone tocando enquanto estava tomando banho. Eram quase nove horas da manhã, e fazia pouco tempo que havia chegado do hospital. Não me apressei. Quem quer que fosse, poderia esperar mais um pouquinho. Assim que terminei de sair, meu celular voltou a tocar.

Ao olhar para a tela piscando, percebi que se tratava de minha cunhada. Normalmente, quando ela ligava e eu não atendia, deixava-me um recado, mas para ela insistir assim, algo deveria ter acontecido. Quando ela me falou que meu irmão havia sido socorrido inconsciente para o hospital, não pensei duas vezes antes de retornar até lá.

Era a irmã gêmea do Tyler. Nossos pais desapareceram quando ainda éramos crianças e fomos adotados por vizinhos muito generosos, os Ashley, os quais aprendemos a chamar de pai e mãe. O Tyler era advogado. A família Ashley possui um escritório muito conceituado nessa área. Durante um período de minha adolescência, me vi sendo puxada para esse ramo profissional, onde não teria muita dificuldade para crescer profissionalmente. Mas resolvi partir para a área da saúde.

Li uma vez num livro que irmão era aquela pessoa que te defendia de tudo e todos e, apesar das implicâncias, era ele que estava lá quando os outros implicavam com você. Pois é, essa frase definia bem minha relação de companheirismo com Tyler. Desde muito jovem, Tyler sempre tomou minhas dores para si, assim como eu sempre apoiei todas as suas decisões. Éramos o que chamam de 'unha e carne'.

Hoje, ele estava casado há dois anos com Evelyn. Mesmo nós dois morando em casas separadas, pois desde a faculdade dividia um apartamento com uma amiga, sempre que precisava comunicar algo importante à minha família, ele era o primeiro a saber. Sempre fomos cúmplices em quase tudo.

Então, ao saber que ele havia sido socorrido, me causou um grande desespero. Quando cheguei até lá, fui informada de que meu irmão deu entrada ainda inconsciente. Sua temperatura estava bastante elevada e vários exames foram realizados, pois ninguém tinha conhecimento do que exatamente o afligia.

O motivo do chamado 'apagão' ainda era uma incógnita até que os resultados dos exames chegassem. Mesmo após os exames prontos e uma avaliação por um dos médicos mais competentes do hospital, ninguém conseguia detectar o que estava afligindo meu irmão. Os exames apenas detectavam uma grave infecção. Quando meus pais e Evelyn souberam da situação, ficaram extremamente preocupados, inclusive Evelyn parecia até muito abalada.

Eu e o Tyler sempre encarávamos as dificuldades que enfrentávamos de maneira leve, independentemente do que fosse. Nos conectávamos para tomar a melhor decisão em conjunto. Ele representava a lógica, e eu, a ação. Enquanto ele costumava pensar muito, eu preferia agir. Quando minhas ações eram impulsivas, ele estava lá para frear minhas decisões. Éramos um equilíbrio no geral.

Após mais algumas horas ali, ainda sem qualquer diagnóstico, o médico que acompanhava meu irmão informou que os novos exames apenas comprovavam que sua situação estava se agravando cada vez mais, porém ainda não havia sido positivo para nenhuma doença testada. Como médica, sabia que não poderíamos iniciar um tratamento sem comprovar do que se tratava. Seria ineficiente e poderia causar ainda mais danos do que benefícios para o paciente.

Meu raciocínio parou naquele momento. Meu irmão nem parecia ele mesmo, estava pálido, magro e com olheiras profundas. Por um momento, me perguntei se estávamos preparados para o pior. Ele sempre foi meu melhor amigo, meu mais fiel apoiador, a pessoa que mais me incentivou a perseguir meus sonhos. Como eu poderia viver sem ele na minha vida?

Parecia que o corpo de meu irmão lutava contra si mesmo, como alguma doença autoimune. Pedi para olhar os exames, todos feitos na última hora, e pareciam piores que os anteriores. As taxas de Tyler estavam despencando cada vez mais de forma inexplicável. Era como se a vida estivesse sendo sugada dele. Como médica, eu não conseguia entender o que estava acontecendo e estava tão confusa quanto o Dr. Mauro.

Eles solicitaram fazer alguns exames de sangue em mim, já que fui quem esteve em mais contato com ele naquelas últimas horas. Depois de algumas horas, meus exames chegaram totalmente normais. Então, eles ficaram mais tranquilos porque não era algo aparentemente contagioso. No entanto, alguma coisa estava lutando contra o organismo do meu irmão.

Depois de algumas horas de uma pequena melhora, a situação do Tyler começou a se complicar ainda mais. Ele começou a vomitar sangue, não era pouco sangue, eram golfadas e mais golfadas. Meu irmão mal conseguia respirar. Nada que fizéssemos parecia funcionar, até que, do nada, cessou. No entanto, agora meu irmão estava completamente debilitado.

O Dr. Mauro solicitou então uma transfusão de sangue para ele. No entanto, quando o sangue começou a entrar em suas veias, meu irmão começou a gritar, pedindo que parasse aquela transfusão. Seu corpo parecia queimar, e ele não estava suportando. Se eu não fosse tão cética, diria que aquilo parecia bruxaria. Não acreditava nesses tipos de coisas. Na minha profissão, aprendi que só podemos acreditar naquilo que podemos comprovar, mas aquilo estava além de qualquer coisa.

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