EMILY
Não sei em que momento adormeci, mas fazia muito tempo que não dormia tão bem. Ao despertar, percebi que o dia já havia amanhecido, minhas necessidades clamavam e meu estômago roncava. Matthew estava agarrado a mim como uma trepadeira, mas lentamente fui me desvencilhando dele, que parecia estar dormindo profundamente.
Fui até o banheiro e, ao sair do quarto, senti a necessidade de verificar como estava a princesinha de Matthew. Fui até o closet dele e abri algumas gavetas, e em uma delas encontrei uma calcinha branca muito semelhante à que tinha, e por coincidência havia sumido. Na dúvida, não a vesti. Peguei uma blusa daquele homem que mais parecia um deus grego e deixei Ivy me levar até Lara. Assim que abri a porta, ela me olhou surpresa, e logo um sorriso surgiu em seu rosto, assim como surgiu também no meu. Percebi o sentimento de proteção que Ivy sentia em relação a ela.
— Titia Emily, você ficou boa! — Ela exclamou, feliz.
— Sim, meu amor. E como você está, pequena?
— Também estou bem, titia.
— Que tal comemorarmos isso com panquecas? — Perguntei e, mais uma vez, ela me deu um sorriso radiante.
— Amo panqueca, titia. Posso colocar calda de chocolate? — Ela perguntou, cheia de expectativa.
— Vamos verificar o que encontramos na cozinha de seu pai… — Ela bateu palminha.
Ajudei-a a se levantar e ela foi até o banheiro, cuidou de suas necessidades com minha ajuda, e quando estava pronta, descemos até a cozinha.
Enquanto preparava as panquecas, Lara estava sentada na bancada me observando. Ela era uma garota adorável e conversamos sobre muitas coisas, como a escola, sua vida aqui na alcateia e o que ela queria ser quando crescesse. Estava contando alguns fatos de minha própria infância com o Tyler, causando algumas risadas nela, quando percebi o cheiro daquele homem que me fez viver momentos especiais durante a madrugada.
— Acordou, belo adormecido? — Perguntei brincando, o que fez Lara sorrir.
Lara correu para os braços do pai, enquanto ele se abaixava para pegá-la nos braços. Ele a beijou e retribuiu seu abraço. Era maravilhoso observar a interação entre eles. O Matthew que eu via no hospital não era tão receptível quanto estava se mostrando agora. O homem diante de mim, olhando para sua filha com amor, parecia completamente diferente do diretor do hospital.
— Você dormiu muito hoje, papai! — Lara falou, rindo. — A tia Emily me ajudou e está preparando nosso café.
Ele deixou Lara sentada onde ela estava antes e contornou a bancada, vindo até onde eu estava, abraçando-me por trás e beijando meu rosto. Lara deu alguns risinhos, enquanto eu estava completamente vermelha.
— Bom dia, Emily! Como você está se sentindo? — Ele perguntou com a voz rouca, me olhando intensamente, e eu não entendi sua pergunta. — Depois de ontem à noite. — Ele completou a frase, agora fazendo sentido para mim e me deixando ainda mais vermelha.
— Estou bem, obrigada! — Falei, meio constrangida.
Um pouco depois, uma mulher mais velha, juntamente com Austin e Anna, que conheci no hospital, apareceram na cozinha com cara de preocupados. No entanto, todos pareceram surpresos ao nos encontrar ali, julguei parecermos uma família.
A mulher mais velha me olhava estranhamente, e eu não conseguia entender o porquê, mas percebi que Ivy, minha loba, não se sentiu ameaçada por ela. Muito pelo contrário, de alguma forma sabia que nos daríamos bem.
Percebi o olhar de Austin para Matthew e depois para mim, analisando as roupas que estava vestida, e me assustei com o rosnado que Matthew deu para ele. Austin logo levantou a mão, se desculpando. Anna correu até mim, surpreendendo-me com um abraço.
— Você nos deu um grande susto ontem! — Ela falou. — É ótimo saber que você está bem agora. — Disse com um risinho, e logo estava retribuindo o sorriso dela também.
— Luna, deixe que eu termine isso. — A mulher mais velha falou, e todos olharam para ela.

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