EMILY
Sentindo-me mais recuperada, voltamos para a sala onde os demais estavam. Vovô, ao ver vovó abalada, levantou-se e veio até nós, enquanto eu tentava ampará-la. Percebi o olhar preocupado de Eric na minha direção, mas fiquei feliz de que ele não tenha tomado qualquer atitude, conhecendo bem Matthew. Já tínhamos problemas demais para que ele fosse mais um.
— Sei que é um momento conturbado para todos, mas precisamos encarar o elefante rosa na sala. Gostaria de compartilhar com vocês algumas suspeitas. — Anna falou e todos olhamos para ela.
— Que tipo de suspeita, meu amor? — Austin fez a pergunta de milhões.
— Quando fazia parte de um coven, toda forma de magia era debatida, porém, nem todas eram usadas. Muito pude escutar sobre uma magia, a magia negra. Nunca tive vontade de conhecer esse tipo de magia, porque se falava que essa magia corrompia a alma daqueles que a praticavam.
Aquilo arrepiou até os pelos de Ivy. Anna encarou todos nós e parecia que aquela ainda não era a pior parte. A parte pior ainda estava por vir.
— Ouvi rumores sobre feiticeiros que trouxeram pessoas mortas de volta à vida. Dizia-se que a pessoa não voltava a ser a mesma, mas ainda assim, estava viva. — Ela disse e aquilo parecia uma história de terror, só faltava o grito para assustar todos nós.
— Você quer dizer que as mesmas pessoas sobre as quais meu pai me alertou podem ter pegado o corpo do meu irmão? — Perguntei, sem querer acreditar naquilo.
— É uma possibilidade, mas existe outra. — Todos continuavam a observar Anna. — Pelo que entendi sobre vocês, lobos, é que o tempo para cada um se recuperar de algo que acontece é relativo. Estive pensando sobre o que seu avô falou dos genes de lobo. Você considerou que talvez seu irmão também pudesse ter se curado?
— Mas se fosse isso, ele teria nos procurado. — Afirmei, acreditando que isso seria o mais lógico.
— Talvez não, minha filha. Provavelmente ele estaria totalmente desorientado e em choque. O que ele diria a vocês? Ele acordou em um caixão, sem conhecer o nosso mundo. — Meu avô esclareceu.
— Pensando dessa forma, o senhor está certo. Meu irmão pode estar vivo. — Desde a ligação da minha mãe, esse era o meu primeiro pequeno sorriso. — Matthew, precisamos averiguar isso e tranquilizar os meus pais.
A partir dali, teríamos que agir com a cabeça fria. Havia muitas informações novas surgindo, porém, nenhuma confirmada. Tínhamos que pensar muito bem em como agir, para não metermos os pés pelas mãos.
— Vamos até lá verificar se sentimos o cheiro de algum lobo, ou algum rastro que nos faça confirmar essa teoria. — Matthew disse.
Por mais que ele tentasse me persuadir a ficar, eu não aceitei. Ele estava temeroso que eu tivesse algum colapso nervoso, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Mas era o meu irmão, eu precisava ir. Se tudo o que Anna falou se confirmasse, Tyler estaria assustado e não confiaria em quem ele não conhecesse. Decidimos partir no dia seguinte, meus avós decidiram nos acompanhar também.
Assim que acordei, Matthew não estava mais na cama. No entanto, seu cheiro ainda estava fresco no quarto. Como a porta não estava completamente fechada, pude escutar uma conversa que vinha do corredor.

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