MATTHEW
Quando observei Austin conversando com aquela mulher mais cedo, fiquei possesso com meu beta. Fiquei surpreso quando notei que ela de alguma forma sentiu a corrente elétrica que percorreu nossos corpos, e sua surpresa ficou tão nítida que ela se despediu e foi embora. Sky ficou inconformado e apenas após perdê-la de vista, foi que olhei para meu beta e ele tinha as mãos erguidas, pois sabia como meu lobo estava se sentindo.
Orientei-o a manter distância dela e, depois disso, voltamos para a alcateia. Assim que cheguei em casa, cumprimentei minha filha e fui direto para um banho. Precisava relaxar um pouco após a tensão que passei no hospital. Aquela médica não saía dos meus pensamentos, e eu não conseguia esquecer o seu cheiro.
Acabei enchendo a banheira, retirei minha roupa e entrei nela, esperando relaxar. No entanto, ao pensar nela, em seu olhar, em sua boca, em seu cheiro… meu membro ficou duro como pedra, e me amaldiçoei por aquilo.
Sky parecia à beira da loucura, clamando para emergir. Eu senti a necessidade de libertá-lo um pouco. Talvez a floresta o acalmasse por um tempo. Assim, acabei deixando a banheira para trás, vesti uma roupa e dirigi-me à floresta nos fundos da minha casa para liberar Sky.
Senti a liberdade que os toques das patas de meu lobo causavam sempre que tocavam a terra, suas unhas afundando nela e pegando impulso para ir cada vez mais rápido. Senti o vento entre seus pelos. Todos os sons se manifestavam na floresta durante a noite. A floresta ganhava vida, e essa liberdade nos acalmava.
Quando encontramos aquela médica correndo na trilha, Sky parecia ansioso para se aproximar dela, enquanto eu fiquei surpreso por encontrá-la tão profundamente na floresta naquele horário. Por muito pouco, um desastre não aconteceu quando aquele renegado também pareceu perceber seu cheiro. A escoltamos até que ela saísse da floresta, e esperava que aquela mulher não se aventurasse mais naquela trilha.
Uma coisa havia despertado minha curiosidade. Antes de nos mostrarmos para ela, tive a impressão de que ela sentiu nossa presença. Isso me faz lembrar que ela também ouviu meu rosnado mais cedo para o Austin e ficou assustada pelo magnetismo de nosso toque, mas seu cheiro era apenas o de uma simples humana. O que será que ela escondia?
Senti a inquietação dos lobos que a protegeram alguns minutos antes na floresta. Meus guerreiros estavam curiosos para saber quem ela era. Eles sentiram, através de nossa ligação, que estavam diante de sua verdadeira Luna. Sky foi esperto ao marcá-la com nosso cheiro. Sabia que aquele cheiro não permaneceria por muito tempo, mas, de certa forma, a marcava para outros lobos por enquanto.
A acompanhamos até sair da floresta. Ela morava na reserva que pertencia a alguns dos meus lobos. Nenhum renegado seria idiota o suficiente para ousar entrar ali, mas parecia que, ultimamente, alguém os dominava e eles estavam agindo estranhamente. Precisava deixar toda a alcateia em alerta, para que ninguém se machucasse ou permitisse que se aproximassem da sua Luna.
No dia seguinte, cheguei cedo ao hospital. Muitos presentes se surpreenderam com minha chegada. Acreditava que eles não estavam cientes de que agora estarei à frente da direção daquele hospital, mas em breve teria uma reunião com todos para esclarecer o fato. O principal motivo de ter chegado tão cedo ali era para acompanhar a chegada daquela que estava me enlouquecendo e enlouquecendo Sky.
Observei, através da câmera, sua chegada ao hospital. Emily era a mulher mais fascinante que já havia visto. Muito comunicativa, parecia estar sempre ligada no 220V. Quando entrou na sala dos médicos, ninguém conseguia ficar muito tempo sem sorrir ao lado dela. Pelo que ouvi falar sobre ela, Emily era direta no que dizia, sem meios-termos, mas conseguia transmitir suas ideias com suavidade.
Haveria uma reunião em breve para que todos fossem informados sobre a mudança na direção. Eu precisava investigar todos os problemas que estavam ocorrendo no hospital, especialmente aquele ataque inexplicável. Como esses lobos conseguiram entrar sem que seus cheiros alertassem os meus?
Olhei mais uma vez para aquela mulher e a vi conversando com um dos nossos médicos. A conversa parecia estar bastante interessante. A observei sorrindo algumas vezes, e Sky rosnou para o outro lobo, como se o médico pudesse escutá-lo, mas isso era impossível com tantas paredes nos separando.
Quando pensei em convocá-lo através do elo mental, minha porta foi aberta e por ela entraram Kevin, Austin, Lara e, inesperadamente, Scarlet. Olhei para Austin, tentando entender aquela visita. Ele apenas deu de ombros.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Perguntei sem muitos rodeios.
— Viemos te prestigiar. Agora, você será o diretor do hospital. — Scarlet falou, toda alegre, mas percebi que ela analisava minha sala.
— Papai, quero conhecer onde eu nasci… — Lara falou sorridente, sem perceber que aquilo também me trazia dor.
— Quem disse a você que foi aqui que você nasceu? — Ela olhou para Scarlet e, apenas com o olhar, a deletou.
— Ela perguntou se foi aqui, e eu apenas confirmei. — Scarlet tentou se redimir. Olhei para ela, advertindo-a com o olhar.

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