Jaqueline riu friamente:
— Você acha que isso é justo com a Ângela? Ela está no hospital esperando que você se divorcie. Você prometeu a ela várias vezes e quebrou a promessa todas as vezes. Já pensou nos sentimentos dela? Se você não se divorciar de mim, como vai ficar com ela?
— Fique tranquila, vou resolver tudo com a Ângela. — Roberto ajeitou os punhos da camisa calmamente e respondeu, com indiferença. — Mesmo que eu não me divorcie de você, ainda assim posso me casar com a Ângela. Entre nós dois, só há uma relação de fachada. Você pode continuar sozinha, enquanto eu e Ângela seguimos nossas vidas como sempre.
— Roberto, você é desprezível demais! — George explodiu de raiva, o rosto dele ardia de indignação. — Agindo assim, você está sendo injusto tanto com a Jaqueline quanto com a Ângela. Está machucando os dois lados. Você é um completo canalha!
— Eu sou mesmo um canalha! — Roberto encarou George com um olhar frio e zombeteiro. — Já que as coisas chegaram a esse ponto, que todos afundem juntos.
Ele endireitou o corpo e, com uma expressão sombria, declarou:
— Jaqueline, já que você não quer voltar comigo, então fique por aqui. Não precisa ir ao tribunal amanhã. Vamos continuar nesse impasse. Isso não vai me impedir de me divertir por aí.
Com dedos longos e elegantes, Roberto abriu a porta do carro e entrou. Ele não ligou o motor de imediato, como se estivesse esperando algo.
As pernas de Jaqueline fraquejaram, e ela caiu de joelhos no chão, abaixando a cabeça em agonia. Ela sentia como se estivesse à beira de um vulcão prestes a entrar em erupção!
A vileza de Roberto continuava a superar todas as suas expectativas. Ela jamais imaginou que ele seria capaz de chegar a esse ponto.
O mais ridículo era que, antes, ela ainda acreditava que havia algo de bom naquele homem. Agora, parecia claro que qualquer traço de bondade que ela havia percebido era insignificante diante do comportamento que ele exibia naquele momento!
— Jaqueline. — George se aproximou para segurá-la, preocupado ao vê-la cambalear. — Vou ajudá-la a voltar para descansar. Não dê ouvidos ao que o Roberto disse. Ele só está tentando ameaçá-la!
Jaqueline continuava agarrada ao portão de ferro, sem soltá-lo. Era óbvio que ela sabia que Roberto estava tentando ameaçá-la, usando o divórcio como arma. Se ela não voltasse com ele, ele certamente se recusaria a assinar o divórcio no dia seguinte.
Ela estava exausta. Extremamente exausta daquela relação. Exausta daquele casamento. Verdadeiramente esgotada.
Ela não sabia se, caso aquilo continuasse, o bebê em seu ventre conseguiria sobreviver. O médico já havia lhe dado inúmeros avisos para que descansasse e cuidasse da gravidez. Mas, com tantos acontecimentos perturbadores, ela temia que adiar o divórcio pudesse causar algo ainda pior, colocando a saúde do bebê em risco.

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