— Jaqueline, quantas vezes mais eu preciso te lembrar que nós ainda não estamos divorciados!
— Você... — Jaqueline queria dizer que isso não tinha nada a ver com o fato de estarem ou não divorciados, mas ao ver a expressão sombria do homem, ela sabia que continuar a discussão só colocaria mais lenha na fogueira. Ela não sabia quando ele havia se tornado tão irracional.
De repente, sentiu uma onda de náusea e, rapidamente, desfez o cinto de segurança, abriu a porta do carro e saiu correndo, começando a vomitar.
Roberto saiu do carro rapidamente e se agachou ao lado dela.
Jaqueline segurou a roupa na altura do peito e respirou fundo. Ainda bem que ela não tinha comido nada pela manhã, senão teria vomitado ainda mais.
— Já faz dias, você não tomou remédio?
Ele acariciou as costas dela.
Jaqueline, preocupada que ele suspeitasse de algo, se virou com fingida indignação.
— A culpa é sua, você freou de repente, me deixou enjoada. Eu já sou propensa a enjoar no carro.
Ao ouvir a recriminação da mulher, a expressão de Roberto ficou tensa.
Toda a raiva parecia ter sido apagada como um balde de água fria. Ele ajudou Jaqueline a voltar para o carro, abrindo todas as janelas.
Ele colocou o cinto de segurança nela.
— Vou te levar ao hospital para ver isso.
— Não vou, foi só o freio repentino que me deixou enjoada.
— Tem certeza? — Embora ela tivesse razão, ele ainda estava um pouco desconfiado.
Jaqueline, contendo o nervosismo, disse:
— Por que eu mentiria para você? Se eu estivesse me sentindo mal, por que não iria ao hospital? Meu corpo é meu, não me importaria mais com ele do que você?
Após um longo silêncio, Roberto falou:
— Espero que sim.
Depois de dirigir por mais um trecho, Jaqueline não pôde deixar de perguntar:
— Por que você foi à escola hoje?
— Porque eu te prometi.
Sim, ele tinha prometido a ela. Sempre que ele prometia algo, ele cumpria. As coisas que ele não conseguia cumprir, ele nunca prometeu a ela, como amá-la.
Roberto levou Jaqueline de volta para casa, segurando sua mão até o quarto.
— Se não está se sentindo bem, descanse em casa e não saia por aí.
Quando Jaqueline acordou, viu que Roberto ainda estava ao seu lado. Ela não sabia quanto tempo tinha dormido. Ela estava grávida e seu corpo se cansava facilmente.
— Você acordou.
Jaqueline olhou para o celular e viu que tinha dormido quase duas horas.
— Levante—se e vamos almoçar.
— Você ainda está em casa? — Jaqueline não pôde deixar de perguntar.
Roberto franziu a testa.
— Por que eu não estaria em casa? Essa não é minha casa?
— Não quis dizer isso, só pensei que você estava muito ocupado.
— Hoje não muito, quero descansar um pouco.
— Então, você quer dizer que...
Jaqueline não terminou a frase e ele respondeu diretamente:
— Hoje vou ficar em casa o dia todo.

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