Ao vê-lo, Valéria imediatamente se levantou:
— Sr. George, o que foi?
George fechou a porta e se aproximou dela:
— Você já vai dormir?
Valéria balançou a cabeça:
— Ainda não. Aconteceu alguma coisa?
— Vim ver como você está. Acabei de ver Jaqueline saindo do seu quarto. Ela falou algo com você?
— Ela não disse nada de especial, só preparou algumas coisas para mim. — Valéria sentiu que, se contasse aquelas palavras a George, ele certamente ficaria muito magoado.
George pareceu perceber a hesitação de Valéria.
— Na verdade, eu também sei de algumas coisas. — Disse George. — Embora eu não me lembre de tudo, sinto que o meu casamento com Jaqueline não é normal. Caso contrário, por que ela ia me incentivar a ficar com você? Ela deve realmente querer se divorciar de mim.
Valéria ficou sem palavras por um instante, sem saber o que dizer.
George abaixou a cabeça:
— Com certeza foi algo que eu fiz de errado, então...
— Não é isso, Sr. George. — Respondeu Valéria. — O senhor é uma pessoa muito boa, realmente é. Talvez seja só porque o senhor não revelou seus verdadeiros sentimentos para Jaqueline, e ainda disse que gosta de outra mulher. Isso acabou levando a essa situação.
— Você está dizendo que eu deveria ter me declarado para ela?
Valéria assentiu com a cabeça:
— Sim, o senhor já deveria ter se declarado para ela há muito tempo. Não deveria ter dito que gosta de outra mulher. Falando assim, só faz com que ela se afaste cada vez mais do senhor. Já que o senhor já tem outra pessoa de quem gosta, do ponto de vista dela, como ela ainda teria coragem de amar o senhor?
— Não quero que ela sinta nenhum tipo de pressão. Eu sinto que, nesses últimos tempos, Jaqueline já está muito cansada de cuidar de mim, e também foi muito machucada pelo ex-marido. O que posso fazer é não pressioná-la. O maior medo dela é ser amada, porque já foi profundamente ferida pelo amor.
Valéria suspirou levemente. Ao ver George agindo com tanta cautela, ela chegou a sentir pena dele. Achou que George realmente amava Jaqueline demais, amava de forma humilde, sempre pensando nela antes de si mesmo.
Ela realmente achou difícil imaginar que um homem como aquele pudesse amar tanto uma mulher. Era algo muito romântico, mas também havia certa tristeza nisso.
— Sr. George, Jaqueline agora sente que nós dois conversamos muito bem e quer nos aproximar. Eu sei que o senhor só ficou conversando comigo para agradá-la, então eu acho que...
— Srta. Valéria. — George interrompeu. — Eu acho que realmente gosto de conversar com você, e não é totalmente para agradar Jaqueline. Afinal, você é a única pessoa com quem consigo falar abertamente sobre o que sinto. Obrigado por ouvir meus desabafos. Fico muito feliz por ter te conhecido.
Ao ver a expressão séria de George, Valéria ficou um pouco surpresa, como se não esperasse que ele dissesse aquilo. Ela se sentiu até um pouco honrada:
— Obrigada.
— Você é uma tola, por que me agradece? — George sorriu gentilmente.
Ao ouvir George chamá-la de tola, o coração de Valéria começou a bater cada vez mais rápido.

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