Ela não precisava mais se preocupar com Roberto e podia dizer o que quisesse na frente dele, pois não se sentia mais culpada.
A expressão de Roberto era sombria.
— Bem, vou indo então. — George foi cortês do início ao fim, uma verdadeira gentileza comparada à natureza instável de Roberto.
— Desculpe mesmo por ter feito você ter vir me ver. — Jaqueline parecia constrangida.
— Eu estava a caminho da empresa e aproveitei para te visitar. Não se sinta pressionada, preciso ir agora. Até mais.
Após se despedir de George, a expressão cortês de Jaqueline endurece ao enfrentar Roberto novamente.
O pager de Hebe tocou. Ela precisava ir, mas estava um pouco preocupada com Jaqueline, então disse a Roberto:
— O estômago ruim da Jaque é por causa do estresse que ela sofre. Não a maltrate mais.
Roberto, raramente manso, apenas concordou, o que era um pouco surpreendente.
— Hebe, vá logo. — Jaqueline ouviu o som do pager.
Hebe acenou com a cabeça e deixou o quarto do hospital.
— Vamos para casa. — Roberto tomou a iniciativa de pegar a bolsa que estava no sofá e também os lírios que ele deu, deixando para trás o buquê de rosas.
Jaqueline, claro, não deixaria as rosas para trás e, ao pegá-las, Roberto pareceu descontente, mas não disse nada para irritá-la.
Quando chegaram em casa, sentiam que estava vazia.
Sem os dois, a casa não parecia mais um lar.
Jaqueline colocou as rosas no vaso por conta própria, enquanto ainda deixava os lírios de lado.
— Sra. Santana, o que faço com esse buquê de lírios? Devo colocá-lo em um vaso também? — Pergunta o mordomo.
— Não precisa. — Roberto se aproximou. — Jogue fora.
Já que Jaque não gostava das flores, não havia razão para mantê-las.
O mordomo pegou as flores com certo pesar, lamentando que algo tão fresco e bonito tivesse que ser descartado, mas, obedecendo às ordens do patrão, ele não tinha escolha.
Ele estava prestes a se virar quando Jaqueline de repente falou:
— Espere.
O mordomo perguntou:
— O que a Sra. Santana deseja?
— Coloque as flores no vaso, seria uma pena jogá-las fora.
Independentemente do que Roberto pensasse, as flores eram inocentes. Serem colhidas em seu momento mais belo e vibrante apenas para serem jogadas fora parecia muito trágico.
— Certo. — O mordomo pegou as flores para buscar um vaso.
Embora o Sr. Roberto e a Sra. Santana tivessem opiniões opostas, em situações como essa, seguir as instruções da Sra. Santana geralmente era a escolha segura.
— Que bom, durante a gravidez pode ser difícil comer, mas você precisa se forçar a comer, o bebê precisa de nutrição.
Jaqueline respondeu:
— Sim, por isso estou me esforçando para comer, preciso cuidar bem da gravidez.
— Vamos nos ver amanhã, que tal marcarmos um almoço juntas em um restaurante?
— Amanhã?
— Sim, você tem algum compromisso amanhã, certo? — Perguntou Nádia.
— Não tenho nada, mãe. Que tal você vir aqui em casa e eu cozinho para você?
— Não, nós nunca saímos juntas. Eu sei que você precisa cuidar da gravidez e não vou te cansar, sem compras, só um almoço. Peça ao motorista para te levar, assim você não precisa andar muito.
— Tudo bem, em qual restaurante você quer ir? Eu faço a reserva. — Jaqueline concordou.
— Deixe que eu faço a reserva, depois te mando uma mensagem com os detalhes. Amanhã é só pedir ao motorista para te levar.
— Certo, está combinado.
Elas terminaram a conversa e desligaram o telefone.
Jaqueline se sentou na beira da cama e gentilmente tocou sua barriga.
— Filho, sua avó parece ser uma pessoa que, apesar de ter uma aparência fria, tem um coração caloroso. Ela não parece ser tão distante. Também não sei o que aconteceu entre ela e seu avô.

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