O projeto do Grupo Marques no País M era amplamente conhecido no setor. Agora que o contrato já havia sido fechado, a viagem de Gustavo ao exterior não era algo que pudesse ser mantido em segredo.
Muito menos de Ethan.
O Grupo Soares e o Grupo Marques eram parceiros de negócios, mas também concorrentes acirrados. Monitorar os movimentos de seus aliados e adversários era uma prática básica nesse tipo de mercado.
Quando Ethan expôs aquilo de forma direta, Luiza não demonstrou nenhum constrangimento. Ela confirmou com naturalidade:
— É verdade.
Ela não tinha motivo para negar nem para procurar desculpas.
Ethan ficou surpreso com a sinceridade dela, mas não se irritou. Com um tom calmo, ele comentou:
— Ele provavelmente não terá tempo para se preocupar com isso agora.
O projeto no País M era crucial para o avanço do Grupo Marques na indústria dos semicondutores. Era a prioridade máxima da empresa naquele ano. Se o projeto fosse bem-sucedido, o valor de mercado do Grupo Marques dobraria, deixando as demais empresas nacionais muito atrás. Gustavo, com certeza, não teria tempo livre para investigar algo que aconteceu há quase vinte anos.
Luiza abaixou levemente o olhar e insistiu:
— De qualquer forma, me dá esses três dias, pode ser?
Ela ainda acreditava que Gustavo estaria disposto a ajudá-la.
Ethan a observou por um longo momento, ciente de que ela e Gustavo haviam retomado uma boa relação. No fim, ele cedeu e concordou com um leve aceno de cabeça.
— Tudo bem. Mas você passou a noite em claro, ainda está machucada, e eu não me sentiria confortável em deixar você sair agora. Primeiro, tome um banho e descanse um pouco.
Ethan percebeu a relutância dela e, com a voz suave, acrescentou:
— Quando você estiver melhor, pode ir embora a qualquer momento. O quarto no andar de cima continua do mesmo jeito, ninguém nunca usou. Pode descansar tranquila.
Ele mesmo só entrava naquele quarto quando a saudade de Luiza se tornava insuportável, para se sentar e lembrar dela.
Depois de uma noite inteira sob tensão, somada às dores no pulso e no tornozelo, Luiza sabia que não tinha forças para discutir. Além disso, ela entendia que, se Ethan havia decidido aquilo, ele não permitiria que ela cruzasse a porta de saída antes de descansar. Exausta tanto física quanto emocionalmente, ela assentiu com um simples:
— Certo.
As roupas que ela não havia levado quando saiu de casa continuavam no armário. Maia nunca as retirou e as manteve penduradas de forma impecável. O quarto estava limpo e organizado, sem nenhum vestígio de poeira.
A enfermeira havia recomendado que, nas primeiras 24 horas, ela não deixasse a água entrar em contato com os machucados. Por isso, Luiza não podia tomar banho, mas mesmo que pudesse, não tinha forças para isso.

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