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Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso romance Capítulo 494

Luiza precisou de alguns segundos para reagir, até ela entender do que exatamente ele estava falando.

Sob aquele olhar fixo demais, Luiza acabou sentindo uma pontada de culpa, como se a pessoa errada ali fosse ela.

Ela abaixou os cílios:

— Eu ia falar.

Mesmo que ele não tivesse perguntado ontem, ela já tinha decidido que ia achar um momento para tocar no assunto.

Gustavo não pareceu totalmente convencido:

— Quando?

Ele, claramente, não acreditava.

Luiza ficou em silêncio por um instante, depois ergueu os olhos para ele e, de repente, virou o jogo:

— E você? Que tipo de explicação ia me dar?

Ela foi direto ao ponto:

— Ia ser igual ontem à noite, sair sem dizer uma palavra e fingir que nada aconteceu?

O tom dela já tinha esfriado alguns graus. A irritação era óbvia.

A sobrancelha de Gustavo tremeu de leve. Ele não tinha a menor intenção de deixá-la encurralada. Ele bagunçou o cabelo dela, de propósito, num gesto quase carinhoso:

— Lola, primeiro me diz você: o que é que você quer fazer com isso tudo?

Luiza, por um momento, não pensou mais se ele ia ou não ficar do lado de Dona Joana. Ela respondeu devagar, sílaba por sílaba:

— Eu quero que quem errou pague pelo que fez. Acho que não é pedir demais.

O olhar dela era límpido e firme. Ela também prestava atenção em cada reação dele.

Gustavo tinha certeza de que, se ele mostrasse um mínimo sinal de hesitação ou desagrado, a mulher no colo dele viraria as costas na mesma hora.

A partir dali, ele seria definitivamente colocado do outro lado da linha. E não teria mais volta.

Por sorte, entre ele e ela, aquele assunto estava longe de ser um dilema.

A mão direita de Gustavo, que estava pousada na cintura dela, subiu devagar. Ele voltou a afagar o topo da cabeça dela e respondeu, num tom baixo:

— Não é demais. Na verdade, eu acho até pouco.

Ele viu, de perto, o espanto que surgiu nos olhos dela e continuou, com a voz tranquila:

— Eu tenho como conseguir provas do esquema de contrabando dela. Você quer? Se a gente juntar tudo, ela vai ser julgada por vários crimes ao mesmo tempo. A pena deve ficar bem pesada.

Luiza ficou sem reação por um instante.

Nenhuma palavra da resposta dele era o que ela esperava ouvir.

Ela tinha calculado que, no máximo, Gustavo não iria atrapalhar. Nunca que ele iria muito além disso, como se ela quisesse matar e ele se oferecesse para cavar a cova antes, e ainda cavar um buraco tão fundo que ninguém ia achar o fim.

Ela demorou um pouco para voltar a si:

— Você tem certeza?

— Você não confia em mim? — Gustavo devolveu.

Luiza mordeu de leve o lábio e o lembrou, em voz baixa:

— Ela é sua avó.

Esse tipo de laço de sangue era algo que ninguém conseguia simplesmente apagar. Ela falava aquilo para que Gustavo pensasse com ainda mais clareza.

Gustavo franziu a testa, quase imperceptível. A mão que estava no alto da cabeça dela desceu para a nuca, segurando de leve, obrigando-a a encarar diretamente os olhos dele:

— Ela também pode deixar de ser minha avó. Eu tenho trinta e um anos. Se a gente contar o tempo em que eu realmente convivi com a Joana, ou quantas vezes a gente sentou na mesma mesa pra comer, dá pra contar usando só os dedos das duas mãos.

Desde cedo, Dona Joana não tinha gostado dos pais dele, e, por extensão, não tinha gostado dele. Aquela história de “laço de sangue” e “amor de vó” nunca tinha existido entre os dois.

Talvez o que tinha acontecido nove anos antes a tivesse deixado mais medrosa, mais insegura. Tanto que, mesmo depois de saber exatamente como as coisas tinham se desenrolado naquela época, ela ainda não conseguia afirmar, com certeza absoluta, que era a pessoa mais importante da vida de Gustavo, que, não importando o que ela fizesse, ele sempre ficaria do lado dela.

Demorou um bom tempo até que Luiza conseguisse respirar fundo, puxar um pouco de ar e encontrar a própria voz de novo:

— Você… Você não tem medo do que vão dizer?

Se Gustavo escolhesse ficar do lado dela e não da avó, aí sim ele estaria rompendo de vez com a própria família.

No fim das contas, para algumas pessoas com poder e dinheiro, certos crimes nunca chegavam a ser realmente graves. Bastava esconder direito, abafar, e tudo caía no esquecimento.

A luz dentro do carro era fraca, mas o choro na voz dela era impossível de esconder.

Gustavo abaixou os olhos para observá-la com atenção. Ao mesmo tempo em que ele passava o polegar pelos cantos úmidos dos olhos dela, ele falou, calmo:

— Chorona. Já passou a raiva?

Quando ela era pequena, chorava por qualquer coisa. O apelido tinha nascido ali.

Luiza perdeu o pranto na hora. Ela lançou um olhar atravessado:

— Eu nem tava com raiva.

— Então o que era? — Gustavo, vendo que as lágrimas tinham parado, deixou o canto dos lábios subir de leve, provocando. — Decepção? Frustração? Ou…

Acertada em cheio, Luiza sentiu o rosto esquentar. Tomada por um misto de vergonha e irritação, ela levantou a mão para tapar a boca dele:

— Cala a boca!

Ela tinha acabado de dizer isso quando os lábios dele desceram sobre os dela.

Por sorte, quando eles tinham entrado no carro, a divisória central já tinha sido erguida.

O corpo de Luiza ficou rígido de novo. O homem a beijava devagar, e a voz dele, rouca e grave, deslizou entre um toque e outro:

— Assim eu fico quieto.

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