Raul hesitou, ainda preocupado.
— Sr. Gustavo...
Gustavo manteve a expressão indiferente, sem revelar qualquer emoção, e respondeu calmamente:
— Raul, está com medo de que eu possa fazer algo inapropriado com a minha própria irmã?
Raul ficou sem palavras. Ele havia ouvido algumas coisas sobre o passado de Gustavo e Luiza através do professor Miguel. Antes do ocorrido de anos atrás, Gustavo sempre fora um bom irmão.
Com isso em mente, Raul não insistiu mais.
— Então deixo ela aos seus cuidados, Sr. Gustavo.
Gustavo assentiu levemente e, sem dizer mais nada, pegou Luiza nos braços, carregando-a como se ela não pesasse nada, e a colocou no banco traseiro do carro.
O movimento repentino fez com que Luiza despertasse ligeiramente da embriaguez. No assento de couro, ela tentou se ajeitar, ainda atordoada. Com os olhos semicerrados, chamou, confusa:
— Raul...
O carro seguia suavemente pela estrada. A luz dos postes, filtrada pelas copas das árvores ao longo do caminho, criava padrões de sombras e clarões no interior do veículo. Esses reflexos realçavam ainda mais a expressão séria e fria no rosto de Gustavo, tornando-o ainda mais intimidador.
— Você e Raul são muito próximos?
Aquela voz era tão familiar que dissipou o pânico que Luiza sentia. Ela relaxou, encostando a cabeça no encosto do banco. Em um murmúrio, respondeu, ainda meio grogue:
— Bastante. Raul... Raul é muito bom para mim.
Os olhos de Gustavo se estreitaram enquanto ele observava o rosto delicado e vulnerável dela. Ele reprimiu a irritação e, com paciência, perguntou de forma quase casual:
— E o Gustavo? Ele não foi bom para você, Lola?
— Gustavo? — Luiza repetiu, confusa, como se tentasse lembrar. Talvez porque fazia tanto tempo que ninguém usava aquele apelido. Ou talvez fosse o efeito do álcool que desarmava sua guarda. Ela sentiu um nó na garganta. Mesmo embriagada, ela, por hábito, segurou as lágrimas. Seus lábios tremeram ligeiramente antes de responder com um tom de resignação. — Gustavo... Gustavo me abandonou.
Sete anos atrás, ela lembrava claramente de como ele a havia devolvido sem piedade para Dona Joana. Mesmo agora, bêbada, aquela memória permanecia profundamente arraigada em sua mente.
Para Luiza, Gustavo tinha sido a primeira pessoa, além de seus pais, em quem ela havia confiado de todo o coração. Ele era sua salvação, sua família.

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