Em um instante, os convidados se entreolharam, confusos.
O que... que situação era aquela?
Por que o noivo tinha fugido?
Vendo a cena caótica, Lúcia enxugou as lágrimas, recompôs-se e, virando-se, pegou o microfone das mãos do cerimonialista completamente atônito.
— Peço desculpas a todos, mas o casamento de hoje está cancelado...
O salão explodiu em um alvoroço.
Mas Lúcia já não se importava.
Ela sabia que, a partir de hoje, se tornaria a maior piada de toda a Capital.
Todos sabiam que Lúcia amava Ricardo desesperadamente. Ela havia rejeitado tantos partidos cobiçados para escolher um rapaz pobre, lutando ao seu lado em meio a dificuldades. Agora que finalmente via a luz no fim do túnel, era abandonada por Ricardo no dia do seu próprio casamento.
Quando Lúcia correu para fora do hotel, encontrou a entrada completamente bloqueada.
Não muito longe, Wilma já havia sido retirada do colchão de ar por Ricardo. Ela usava um vestido de noiva e seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
— Ricardo, como você pôde me deixar sozinha? Não tínhamos prometido ficar juntos para sempre?
— Pare de fazer escândalo. — Ricardo franziu a testa, o rosto ainda sem expressão.
Wilma segurou o rosto dele, olhando em seus olhos escuros como tinta.
— Eu não vou parar!
Ao ver o gesto de Wilma, a primeira reação de Lúcia foi pensar que Ricardo ficaria com raiva.
Na juventude, ela também havia segurado o rosto dele para olhá-lo, mas ele a encarara friamente.
— Não gosto que toquem no meu rosto.
O tom era gélido, e não havia um pingo de emoção em seus olhos.
Mas, naquele momento, Ricardo não fez nada, permitindo que Wilma amassasse seu belo rosto como quisesse, até que ela finalmente parou de chorar e sorriu.
Lúcia originalmente pensava que a frieza emocional de Ricardo se aplicava a todos, mas naquele momento, vendo-o carregar Wilma para a ambulância, ela percebeu o quão ridícula tinha sido.
Ela achava que, dia após dia, ano após ano, um dia conseguiria aquecer o coração de gelo de Ricardo. Ele acabaria gostando dela, e seus olhos frios e belos se encheriam de alegria e indulgência por ela.
Mas o resultado...
Foi um tapa violento na sua cara.
Acontece que Ricardo tinha sentimentos, só não eram por ela.
Lúcia riu até as lágrimas rolarem.
— E o que eu deveria fazer? Não cancelar? — Lúcia retrucou com frieza. — Deixar todos os convidados sentados no hotel esperando o herói voltar depois de salvar a donzela em perigo?
Ricardo ficou em silêncio por alguns segundos, como se não esperasse que Lúcia o confrontasse.
Desde que ficaram juntos, Lúcia sempre foi como um pequeno sol, tagarelando ao redor dele. Ela parecia estar sempre cheia de vida, com um sorriso constante no rosto.
E nunca havia ficado com raiva dele.
— A culpa foi minha. — Ricardo era sempre tão racional e calmo. — Eu não pensei direito.
Lúcia soltou um sorriso amargo. Ela realmente fora uma tola ingênua. Por que pensou que um homem com uma frieza emocional congênita se apaixonaria por ela?
Lúcia olhou para a carta de demissão sobre a mesa.
— Ricardo, a minha demis...
Antes que pudesse terminar, uma voz melosa soou do outro lado da linha.
— Ricardo, minhas costas doem. Venha logo me fazer uma massagem.
— Estou ocupado agora. Falamos depois.
O som da linha ocupada logo preencheu o silêncio.
***

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