Mas Celina hesitou por causa das palavras do médico.
"Nem uma cueca ele pode usar?" ela perguntou.
O médico deu um sorriso resignado. "A situação do senhor... nem mesmo meias ele pode vestir."
"Entendi."
Celina parecia pronta para ceder, o que deixou Alex satisfeito.
Mas, para surpresa dele, no segundo seguinte, ela tirou o celular do bolso, lançou-lhe um olhar de "eu entendo" e disse: "Me passa logo o número do Álvaro."
Alex franziu a testa: "Pra que você quer falar com ele?"
Celina olhou para o médico, aproximou-se de Alex e, num sussurro cúmplice, disse com um tom compreensivo, quase sondando: "Numa hora dessas, como não chamar ele? Ou será que, nas suas lembranças de agora, ele é só um assistente qualquer?"
Alex, confuso: "?"
Celina foi direta: "Você não lembra nem um pouco daquele... laço de vocês que vai além do trabalho?"
Alex pareceu não entender muito bem, seu rosto mudando de expressão. "Eu e ele sempre tivemos uma comunicação profissional. Como pode haver algo a mais?"
Celina respirou fundo, como se tivesse tomado uma grande decisão ao romper aquele silêncio. "Ele não é... aquela pessoa... mais íntima pra você?"
O rosto de Alex se fechou na hora.
Então era por isso que ela sempre mantinha aquela distância respeitosa entre eles?
O médico interveio no momento certo: "Senhor, não precisa se preocupar, posso acompanhá-lo para o exame."
Com o rosto ainda fechado, Alex entrou na sala de exames junto com o médico.
Celina finalmente soltou um suspiro de alívio e se preparava para sentar-se no banco do corredor, quando, de repente, a porta de um escritório vazio ao lado se abriu e um braço a puxou para dentro.
O coração de Celina disparou, mas antes que pudesse reagir, foi encostada na porta e os lábios quentes de um homem a beijaram.
Aquele cheiro... ela o reconhecera de algumas horas atrás.
Aos poucos, ela relaxou, deixando-se envolver por aquele desejo possessivo.
Assim, sem dar chance de protesto, Félix a levou embora do hospital.
Foram até um condomínio relativamente novo. Félix bateu à porta de um apartamento.
Celina estava intrigada. Quem abriu foi um senhor de mais de setenta anos.
Ao ver Félix, o homem não fez cerimônia. Apenas virou-se e foi entrando, perguntando: "É ela quem precisa da consulta?"
Félix, sem hesitar, entrou de mãos dadas com Celina e assentiu: "Cuide bem dela."
O senhor se virou novamente, dessa vez examinando Celina de cima a baixo.
Em seguida, sorriu: "Finalmente se decidiu, não vai mais ser padre?"
Félix arqueou as sobrancelhas e respondeu com indiferença: "O senhor também devia receber umas agulhadas na cabeça, viu? Quando foi que disse que queria ser padre?"
O velho logo se virou para Celina, reclamando: "Seis meses atrás, ele fez um check-up e o médico recomendou que ele encontrasse uma mulher. Ele veio me procurar para eu aplicar acupuntura para cortar o desejo, queria resolver tudo de uma vez. Agora finge que não lembra. Moça, fique atenta. Esse aqui fala uma coisa e faz outra."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eu Na UTI, Você Na Cama Da Outra!?