— A raiz da erva venenosa é sempre desgraçadamente implacável na tentativa de sobreviver.
Impondo sua presença alta sobre a cama doente, Celina não demonstrou emoção alguma no rosto.
O brilho nos olhos de Luiza, nascido da ingênua esperança, logo se extinguiu ao reconhecer a visitante, dando lugar a pura perplexidade e desgosto.
— Por que você... Qual motivo te faria me salvar?
— Salvar a pobre garota? — Seu lábio contraiu no canto com ironia. — Acaso você ignora o fato de que, na face da terra, existe uma pessoa de cujos devaneios o mais cobiçado é assistir você desaparecer até virar pó?
A tremedeira bateu-lhe no peito desnutrido.
Celina entoou num sussurro leviano:
— Nas tuas mãos reside o trunfo pelo qual teus segredos poderão ser trocados. Uma troca de favores pela sua vida miséria.
— O que... você quer? — ela perguntou com dor excruciante na garganta.
Celina olhou para frente.
— As provas assinadas por Guilherme ordenando minha morte na Cidade K que acabaram ferindo Jessica Pereira, além de toda a lama sobre a asfixia de Agnes Palma.
O fôlego de Luiza foi retesado de horror, sem imediatamente responder.
Mas Celina brincou com a válvula do seu tubo de infusão intravenosa.
— Guilherme já comeu terra. As sujeiras dele valem escória do ralo, exceto se estiverem em minhas mãos. Esse é o único peso que as suas informações têm.
Esganando sem rodeio a válvula no pescoço plástico da entubação, fitou-a inclinando-se ligeiramente.
— Como antigamente me obrigavas a escolher opções absurdas, também agora as lhe darei. Primeira opção: Mantenha-se muda e providenciarei pessoalmente com a enfermaria o corte e a remoção dos teus suportes de vida até que seu peito apague de vez; Segunda opção: Entregue as provas e providenciarei o atendimento com a maior elite médica do país para garantir tua maldita recuperação integral. Tome uma escolha, Srta. Neusa.
Luiza parecia degolada! As laringes ressecaram pelo aperto implacável imaginário em seu pescoço.
Sua língua enrijeceu, com a recusa nos olhos perante tamanho terror.
Celina encarou a hora de forma impaciente e declarou:
— Restam trinta segundos no cronômetro do seu destino; após transcorrer 28 segundos dou por feito que abdicaste dos socorros médicos.
— Não... eu dou, eu entrego! — Luiza engasgou com pânico estridente: — Mas eu preciso que sua promessa valha a minha vida!
Um leve deboche alçou-lhe a sobrancelha:
— Eu alguma vez falhei em honrar um acordo traçando minha própria palavra?
Luiza fechou os olhos em pânico e a voz agônica emitiu um gemido desesperado:
— Está na Estação Central de Zeus... na parte leste... num aluguel perpétuo de cofre no setor B subterrâneo...
Uma hora depois, Celina obteve acesso à chave da fechadura oculta de Bernardo Sampaio e rumou direto ao cofre.
Janaina disfarçada extraiu o pequeno envelope dali da catacumba subterrânea da estação.

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