Firmino olhou com um olhar frio e mastigou as palavras: “Libertação? Morar sob o mesmo teto comigo te fez se sentir tão mal assim?”
Guardando uma mágoa no coração, Margarida insistiu em não deixar que ele também se sentisse bem, caso contrário, ela se sentiria injustiçada.
“Não é só desconforto, é quase insuportável. Cada vez que vejo o seu rosto, sinto repulsa. Ouvir o som da sua respiração me irrita. Não consigo controlar a vontade de ficar com raiva.”
Ela cruzou os braços, e ao ver o rosto dele assumir um tom sombrio, experimentou uma satisfação vingativa. “Você já está ficando nervoso, não é? Então, pelas coisas que você fez comigo, eu deveria te odiar até quase morrer, mas você ainda insiste que eu viva com você como se nada tivesse mudado. Firmino, será que é você quem está doente da cabeça ou sou eu quem enlouqueceu?”
“O amor pode ser desgastado pelas atitudes. O meu amor por você foi sendo consumido pouco a pouco, desde que você permitiu os abusos de Andreia e me feriu tantas vezes.”
“Eu não te amo mais.”
Margarida não esperava conseguir dizer isso de forma tão calma, como se estivesse apenas comentando sobre o tempo.
Sua leveza deixou Firmino furioso; ele estendeu a mão para apertar o queixo dela.
Margarida não recuou, pelo contrário, ergueu ainda mais o queixo com um sorriso sarcástico. “Vai apertar? Então aperte.”
“Mesmo que você me deslocasse o maxilar, o fato é que eu não te amo mais.”
A mão dele ficou suspensa no ar. Firmino encarou o olhar sério e decidido dela; sua raiva se dissipou repentinamente, como se tivesse sido apagada por água fria, deixando apenas exaustão e uma inquietação profunda.
Ele contraiu a mandíbula, manteve o rosto severo e falou palavra por palavra.
“Então você vai recuperar o amor que sentia por mim, pouco a pouco.”
Margarida não conseguiu conter uma risada. O olhar que lançou a ele era como se olhasse para um tolo. “Você acha que é só querer que volta?”

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