Ela falava enquanto chorava, demonstrando certo medo, e o rosto estava tomado pela inquietação.
“Sr. Gonçalves, o senhor poderia pedir para o Firmino não participar do programa de entretenimento? Estou realmente muito apreensiva.”
“Minha mãe só tem a mim como filha. Se algo acontecer comigo, nos feriados e datas especiais, não haverá mais ninguém para visitá-la.”
Andreia tapava a boca e soluçava, lançando olhares furtivos para Helder.
Ao ouvir isso, Helder concordou imediatamente.
O canto da boca dela, ainda coberto pela mão, traçou um sorriso de satisfação, mas assim que largou a mão, os lábios voltaram à neutralidade.
“Senhor, será que isso não seria muito difícil? Quando Firmino toma uma decisão, são poucos os que conseguem convencê-lo.”
Ela se mostrava constrangida. “Não quero prejudicar a relação de pai e filho entre o senhor e Firmino.”
Helder soltou um resmungo frio. “O presidente do Grupo Gonçalves resolveu participar de um programa de casais? Pelo visto, o tempo livre que deixei para ele está sobrando. Se tem tempo para essas coisas, seria melhor investir em mais alguns projetos.”
Ao ver a expressão descontente dele, Andreia percebeu que provavelmente conseguiria o que queria.
“Sr. Gonçalves, o senhor poderia, por favor, não contar ao Firmino que fui eu quem pediu sua ajuda?” Ela abaixou a cabeça. “Se Firmino souber que fui eu, vai passar a me odiar ainda mais.”
“Não quero que ele me odeie.”
Helder, naturalmente, aceitou o pedido e, naquela noite, foi diretamente procurar Firmino.
Margarida foi acordada pelo barulho de Hyndara batendo à porta. Ela levantou-se para abrir, ainda sonolenta.
“Hyndara, o que foi?”
“Senhora, o Sr. Gonçalves está no quarto? Ele chegou e está sentado lá embaixo, esperando para falar com vocês.”
O sono de Margarida dissipou-se um pouco e ela foi até o corrimão para olhar.
Helder estava sentado no sofá, com uma expressão pouco amigável, sem que se soubesse ao certo o motivo da visita.

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