“Que horas amanhã?” Margarida olhou para a frente, com o olhar se tornando complexo.
Ela queria saber a verdade, mas por algum motivo, sentiu-se um pouco temerosa em descobrir.
“Vire-se.” O homem ordenou friamente, enquanto seus dedos já apertavam e acariciavam o lóbulo da orelha dela.
A raiva que Margarida havia acabado de reprimir voltou a crescer, e ela, contrariada, virou-se de frente para ele.
Firmino então tocou os lábios com o dedo e disse: “Me beije e amanhã eu te levo para vê-lo.”
Com os olhos ardendo em chamas, Margarida exclamou, indignada: “Isso foi algo que você prometeu para mim. O quê? Agora você quer voltar atrás?”
“Eu prometi que deixaria você vê-lo, mas não garanti quando. Pode ser amanhã, pode ser no ano que vem, pode ser em cinco anos, dez anos, quem sabe? Se ele morrer, eu te levo até o túmulo dele, ainda assim você vai vê-lo.”
Sabendo o que ela ia dizer, Firmino segurou o dedo com o qual ela o apontava, falando em tom suave.
“Margarida, não estou te enganando, é apenas uma questão de tempo.”
Os lábios de Margarida tremiam de raiva.
Já tinha visto pessoas sem vergonha, mas igual a ele, nunca tinha visto.
O amante da mãe, ele planejava assim; o verdadeiro dono da famosa obra da mãe, ele também não queria facilitar o encontro.
“Firmino!” Ela disse entre dentes cerrados. “Você é o homem mais sem vergonha que eu já conheci.”
Ela quase esqueceu que Firmino era um empresário, e sua maior habilidade era calcular.
Ele jamais faria um negócio em que saísse perdendo.
O olhar de Firmino se tornou mais escuro e profundo. “Somos marido e mulher, você me evita ao máximo, quero carinho e você recusa, quero um beijo e só consigo forçando, então só me resta usar alguns truques.”
E a culpa ainda era dela?
Margarida ficou tão irritada que quase riu.
Se ele soubesse separar as coisas, eles não teriam chegado a esse ponto.

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