O rosto de Norberto Queiroz tornou-se subitamente severo; ele fitou Firmino Gonçalves com um olhar sombrio e carregado.
Margarida Pacheco franziu a testa e puxou a manga da camisa de Firmino. “Sr. Queiroz não tem esse tipo de intenção comigo, vamos embora.”
Firmino não se moveu. Abraçou-a com força, impedindo-a de sair, e lançou um olhar frio ao homem à sua frente.
“Margarida, você é ingênua e bondosa, não conhece o lado obscuro da natureza humana. Há pessoas que são falsas, agem de um jeito na sua frente e de outro por trás.”
“Norberto, você desejou minha esposa? Se é homem, seja sincero e diga a verdade.”
Ao ver que ele insistia, Margarida demonstrou insatisfação.
Os garçons do restaurante já olhavam em direção a eles, lançando olhares curiosos e fofoqueiros.
Margarida não queria causar escândalo em público, então seu tom tornou-se pesado. “Você não ouviu o que eu disse? Não há nada entre mim e o Sr. Queiroz, Firmino, qual o sentido de me pressionar assim?”
Ela tentou soltar o braço dele.
“Vamos.”
Nos olhos sombrios de Firmino havia uma camada fria; ele pensava que ela estava apenas preservando a reputação de Norberto.
Eles se conheciam havia tão pouco tempo, e ela já começara a se preocupar com outro homem.
Ele permaneceu imóvel. “Margarida, é melhor esclarecer essas coisas. Minha avó e o avô Valentino são grandes amigos; melhor evitar desentendimentos entre as famílias.”
“O Sr. Queiroz até agora não disse uma palavra. Está se sentindo culpado e, por isso, não ousa falar? Ou reconhece que cobiçar a esposa alheia é algo imoral?” Seu olhar era gélido, carregado de sarcasmo.
O rosto de Norberto assumiu ainda mais frieza; ele apertou os lábios e permaneceu em silêncio.
Não era por não poder admitir.

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