Catarina ainda mantinha uma expressão preocupada. “Sr. Gonçalves era o marido dela, não poderia simplesmente assistir ela sendo maltratada, não é?”
Estevan lembrou do telefonema misterioso que recebera na noite anterior. “Na verdade, o relacionamento dela com Firmino não era bom. Se ela fosse maltratada sem que Firmino presenciasse, ele preferia ignorar.”
Só então Catarina se acalmou.
Margarida não fora ao hospital na noite anterior. Após o café da manhã, subiu para o andar de cima para pintar, planejando ir ao hospital somente ao meio-dia.
Quando largou os pincéis, ouviu a voz de Hyndara do lado de fora da porta.
“Senhora, aquele homem que veio aqui procurar a senhora voltou. Trouxe jornalistas e outras pessoas desconhecidas, estão todos na porta chamando pela senhora.”
Margarida saiu, foi até o quarto em frente, abriu a cortina e olhou para a entrada.
Na porta havia uma multidão de pessoas, uma aglomeração difícil de quantificar à primeira vista.
Ela pediu que Hyndara trouxesse um binóculo e viu Estevan segurando uma fotografia antiga dos dois, tirada quando ela era criança.
Margarida não olhou por muito tempo, pois sabia que Estevan não desistiria enquanto não a visse.
Ela voltou ao quarto, trocou de roupa e abriu a porta.
Estevan passara a noite toda ensaiando como demonstrar emoção e surpresa ao encontrá-la. Ao ver Margarida, ficou paralisado, os olhos vermelhos fixos em seu rosto. Olhou para a foto em seus braços, depois voltou a encará-la, como se tentasse confirmar se era realmente a mesma pessoa.
Até que alguém lhe deu um empurrão. “Senhor, esta é sua filha, vá até ela.”
Estevan continuou imóvel, abriu a boca com hesitação e, sob o olhar atento de todos, demorou-se antes de conseguir falar: “Margarida, você ainda se lembra do seu pai?”
Sua voz trêmula comoveu parte da multidão; os mais empáticos já enxugavam discretamente os olhos marejados.

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