Margarida suspirou baixinho. “Já lhe dei oportunidades, você não soube valorizar. Pode, por favor, não dificultar mais as coisas para mim?”
Ficar com ele sempre fora algo muito difícil para ela.
Firmino sentiu como se tivesse um espinho atravessado na garganta, como se lâminas afiadas cortassem seu interior.
Ele não respondeu, apenas a encarou.
Margarida fechou os olhos e desviou o rosto.
Firmino forçou um sorriso, mas não havia qualquer calor naquele gesto, apenas frieza.
“Deixar você ir embora também é difícil para mim, Margarida. Por favor, não torne isso ainda mais complicado, está bem?”
Margarida permaneceu em silêncio, ciente de que novamente não haviam chegado a um acordo.
Sempre que conversavam sobre separação, ela e Firmino nunca conseguiam uma solução em comum.
Nenhum dos dois percebeu Andreia espiando pela porta.
Ao ver o homem abraçando Margarida com força, o olhar de Andreia se encheu de frieza, quase transbordando.
O celular em seu bolso vibrou. Ao ver o nome no visor, ela apoiou-se na muleta e saiu para atender.
……
No dia do show de Samuel, Margarida já conseguia andar, e o médico recomendara que ela se exercitasse, mas sem exageros.
Firmino a colocou cuidadosamente no carro que Samuel havia providenciado e entregou-lhe a bolsa.
“Quando o show estiver acabando, me ligue. Mandarei alguém buscá-la.”
Samuel tinha designado uma funcionária para acompanhá-la.
“Sr. Gonçalves, quando o show terminar, levarei a Sra. Pacheco de volta. Eu também consigo carregá-la.”
Ela praticava exercícios com frequência e tinha braços fortes. Samuel a escolhera exatamente por isso.

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