“Você sabia que eu perdi a memória. Da próxima vez que encontrarmos alguém, deveria me apresentar espontaneamente, não esperar que eu pergunte.”
Todos olharam para Firmino, que assentiu com expressão inalterada. “Está bem, daqui para frente sempre vou te apresentar.”
Margarida sorriu levemente, demonstrando satisfação. “Assim está melhor, isso sim é um bom marido, digno de todo respeito.”
Fernanda, ao presenciar a cena, ficou com o semblante um pouco sombrio.
Andreia, observando o carinho e a indulgência do homem por Margarida, cravou os dedos na própria mão, tomada por uma inveja que quase a consumia. Fixou os olhos em Margarida, começando a questionar se a mulher realmente havia perdido a memória ou apenas fingia esquecimento.
Gabriela lançou um olhar para o ventre de Margarida.
Será que o bebê havia morrido no acidente? Ou teria sobrevivido, escapando por pouco?
Firmino percebeu o olhar dela e, ao lembrar do filho, seu semblante também se tornou introspectivo.
Margarida não se lembrava de nada. Perguntar a ela sobre a criança não traria resposta, então ele preferiu não tocar no assunto.
A família Gonçalves permaneceu para uma refeição antes de se preparar para partir. Antes de sair, Gabriela chamou Firmino de lado. “Sobre a criança, você deveria perguntar para Norberto.”
Norberto foi quem a salvou. Se a criança sobreviveu ou não, ele era quem sabia ao certo.
Firmino assentiu.
“Vovó, eu vou conversar com Norberto sobre isso. Se a criança realmente não sobreviveu, gostaria que ninguém mais na família tocasse no assunto. Eu e Margarida ainda somos jovens. Quando ela estiver recuperada, poderemos tentar ter outro filho.”
Gabriela também pensava assim e não alimentava grandes esperanças.
Quando estavam prestes a sair, Andreia mostrou-se relutante em ir embora.
“Vou ficar para fazer companhia à Margarida. Ela não enxerga, Firmino trabalha todos os dias. Eu posso alegrar um pouco os dias dela em casa.”

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