“Você disse que daria o Grupo Gonçalves para mim, mas isso não seria tão direto quanto colocar os dois cartões bancários nas minhas mãos.”
Falar e fazer eram coisas bem diferentes.
A mulher, com a palma da mão voltada para cima, aparentemente de bom humor ao pensar em algo, ficava com o olhar ainda mais vívido. Seu rosto, já bonito, tornava-se ainda mais encantador. Firmino não pôde evitar um sorriso.
“Como não percebi antes que você era tão esperta?”
Margarida suspirou e então apoiou o queixo com as duas mãos, com um ar despreocupado.
“Talvez antes eu fosse uma romântica ingênua, meu amor por você ofuscava meu raciocínio.”
“Não se pode viver só de paixão.”
Enquanto falava, ela ainda assentia, os punhos servindo de apoio para o queixo, a cabecinha balançando de leve. Firmino a olhava e sentia o coração amolecer, o olhar se tornava mais suave e a expressão, mais intensa, como se uma chama silenciosa ardesse em seus olhos.
Ele rapidamente levou a mão até a nuca dela e, abaixando-se, selou seus lábios.
Margarida, primeiro surpresa, depois irritada, tentou xingá-lo, mas o homem aproveitou a oportunidade e invadiu sua boca, disputando ali o fôlego com ela.
Firmino a beijou com intensidade e profundidade, como se quisesse absorvê-la por inteiro.
De fato, ele queria mesmo fazê-lo.
Desde que ela voltara, todas as noites dormira abraçado a ela, sempre sob o cobertor, dormindo castamente.
Aproximando-se dos trinta anos, cheio de vitalidade, se não fosse por considerar os sentimentos dela, não teria se contido por tanto tempo.
Firmino se entregou ao beijo, enquanto a outra mão começava a afrouxar a gravata, girando de um lado para o outro, logo a jogando no chão.

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