Os olhos negros de Firmino fixaram-se nela, sem dizer uma palavra, apenas demonstrando por suas ações que, quisesse ela ou não, ele apenas se importava com o próprio desejo.
No shopping, Firmino escolheu as alianças e, desconsiderando a vontade dela, colocou a aliança à força em seu dedo, admirando-a sozinho.
“Gostou?”
Seus dedos eram finos e longos, a pele clara; não importava o que usasse, tudo lhe caía bem.
Margarida olhou para o anel com indiferença, já não sentia mais a empolgação de quando vestiu uma aliança de casamento pela primeira vez. O caro anel não provocou a menor emoção em seu coração, permanecendo como águas paradas.
“Se você gostar, já basta.”
Não importava o quanto ele pagasse agora, nada faria com que ela gostasse, e ainda sentia vontade de tirá-lo.
O desejo pela vida de solteira atingira o ápice na família Gonçalves.
A vendedora, que inicialmente pensava em elogiá-la, percebeu rapidamente que o clima entre os dois estava estranho; fechou a boca que já se abria e, sorridente, esperou silenciosamente que tomassem uma decisão.
A frieza dela fez o sorriso no rosto de Firmino esmorecer um pouco. De repente, ele perguntou à vendedora:
“Ela ficou bonita com o anel?”
A pergunta inesperada deixou a vendedora nervosa, temendo cometer algum deslize e desagradar ao casal.
Margarida percebeu o constrangimento da atendente e a livrou da situação.
“Minha mão é bonita, por isso tudo fica bem nela.”
“Vamos ficar com esse par.” Disse ela, tentando tirar o anel, mas Firmino segurou sua mão e lhe entregou sua aliança simples: “Coloque para mim, por favor.”
“Aliança de casamento não se tira.” Ele também se lembrou de onde já vira Norberto.
O homem que havia exigido a aliança dele.
Margarida não retrucou, apenas colocou o anel simples no dedo dele.

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