Havia marcas vermelhas fracas ali que, mesmo cobertas por maquiagem, ainda deixavam rastros.ava em viagem de negócios no exterior.
Ele sabia que Elvis havia deixado aquilo na noite anterior à passada.
Ele também sabia que a pele de Sónia era sensível, e que um beliscão leve deixaria marcas. Inclusive, antes, quando transavam, as marcas não sumiam por vários dias.
Velho e novo, extremamente sugestivo.
Pensando nisso, Francisco desviou os olhos sem demonstrar nada e se sentou casualmente no sofá ao lado. Suas pernas compridas se cruzaram. Seu sorriso era caloroso e ele parecia acessível, mas, de alguma forma, dava uma sensação de frieza e distanciamento.
Sónia olhou para baixo, completamente indisposta a erguer a cabeça, mas Carolina encarou Francisco, apaixonada.
— Eu li os dados da Srta. Pires.
— Assumir a responsabilidade por um projeto tão importante em sua empresa tão jovem é verdadeiramente um grande talento. Uma estrela em ascensão no setor.
Francisco disse educadamente, e a olhou com significado.
Sónia não mudou de expressão: — O Sr. Monteiro me lisonjeia.
— No entanto, vejo no currículo da Srta. Pires que estudou no exterior e tem experiência de trabalho no exterior. Posso saber quando a Srta. Pires voltou ao país?
Francisco continuou a perguntar, e seu olhar pousou no rosto dela.
Sónia franziu as pontas das sobrancelhas, mas ainda mostrou um sorriso formal: — Há um ano.
Ao ouvir Sónia dizer que voltou ao país há um ano, a testa de Francisco se moveu.
No entanto, logo, ele voltou ao assunto do projeto colaborativo entre a AeroTech Soluções e a Vortex.
A atitude de Francisco era sempre profissional. No trabalho, ele sempre fora muito exigente, decisivo e incisivo.
— As patentes e a tecnologia da AeroTech Soluções na área da exploração do espaço sideral são, de fato, as melhores. Quanto à qualificação sigilosa aeroespacial, a Vortex pode se conectar diretamente com os departamentos de aprovação.
Nos vinte minutos seguintes, os dois passaram pelos detalhes do projeto.
Francisco era muito organizado, e as perguntas feitas acertavam o ponto, sem palavras inúteis.
Sónia as respondia uma a uma, em um tom calmo.
No entanto, seus dedos permaneceram enrolados e não se soltaram.
Ao final da conversa, já era meio-dia.
Francisco olhou para o relógio: — Está na hora do almoço. É conveniente almoçarmos juntos?
Sónia franziu a testa, querendo recusar.
Surpreendentemente, Carolina falou antes: — Tudo bem.
— O que vocês gostariam de comer?
Francisco olhou para as duas e disse como um cavalheiro.
— Ensopado?
Carolina olhou para Sónia ao seu lado, que continuou em silêncio, e seus olhos carregavam uma pontada de esperança.
O tom de Francisco era suave: — Pode ser.
Eles transaram direto.
Tinham divorciado havia apenas cinco anos, e Sónia mal podia esperar para achar outro cara. Dormira direto com o homem. Ela era como sempre...
Sem amor-próprio.
Francisco arqueou ligeiramente os lábios num sorriso irónico.
Sónia notou o olhar indiferente do homem e apenas murmurou "hum", pegou o telefone e se levantou.
— Eu vou ao banheiro.
Ao falar, ela atendeu à ligação de Elvis e saiu.
Francisco apertou os lábios finos, e seus olhos pousaram nas costas magras que se afastavam, com um olhar calmo.
— Sr. Monteiro, perdoe-me a intromissão, mas você... você tem namorada agora?
Carolina tossiu de leve e perguntou audaciosamente, ainda corada.
Ela fazia as coisas de forma clara e ágil.
Sempre atacava quando se interessava por um homem.
Ela tinha muita confiança em si mesma.
A expressão de Francisco não mudou, e o tom de voz era baixo e distante, de forma impenetrável.
— Tenho.

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