A prova estava ali, preto no branco. Por mais que o funcionário quisesse sustentar a jogada dos Erland, ele não podia, diante de tantas câmeras, chamar de infração uma documentação totalmente aprovada.
No fim, tudo o que conseguiu foi uma resposta rígida e vazia. "Bem... se é esse o caso, então não há problema."
Ele se virou e saiu de fininho, o rosto duro.
A expressão de Soren escureceu por completo.
De novo. Como isso estava acontecendo de novo?
Aquela vadia dracoviana não só escapara das armadilhas dos Erland. Ela organizara uma comitiva de carros de luxo para contornar a armação do aeroporto, reservara o hotel SK sete estrelas antes que eles pudessem interferir e, agora, um segundo conjunto completo de uniformes de reserva passara por todos os processos de aprovação sem que os Erland ouvissem sequer um sussurro.
A logística da competição deveria estar inteiramente sob controle dos Erland. Cada peça disso deveria estar ao alcance deles.
Mas, de algum modo, Dracovia se movia como se soubesse exatamente o que os Erland fariam a cada passo, desviando de cada golpe antes de ele cair, com contingências e planos de reserva já travados.
Os Erland não tinham ouvido nada. Nem uma palavra.
A constatação fez um frio rastejar pela espinha de Soren.
Especialmente quando os olhos dele pousaram em Helen. Aquela sensação estranha só se intensificou.
Essa mulher... era como se ela pudesse ver o futuro.
Não. Não era isso. Não era sorte, nem quase-acidentes. Ela agia como se os Erland nunca tivessem sido um fator digno de consideração.
Quanto mais Soren pensava, mais aquilo o corroía. Os punhos se fecharam, o veneno por trás dos olhos quase fervendo. Ele encarou a equipe dracoviana, encarou Helen à frente.
Ele se recusava a acreditar que Dracovia continuaria dando essa sorte.
Ele virou a cabeça e prendeu o olhar em outro funcionário da competição ali perto. O homem fez um aceno sutil.
Só então Soren deixou um sorriso frio voltar ao rosto.
Ótimo. Vamos continuar assistindo.
Por mais esperta que Helen achasse que era, ele queria ver como ela lidaria com o que vinha a seguir.
A cerimônia de abertura começou. Uma música grandiosa e triunfante trovejou pelo salão enquanto as luzes se erguiam.
Seguindo a tradição, a equipe de cada país seria liderada por seu capitão carregando a bandeira nacional, marchando pelo corredor central do desfile no local principal sob os olhos da plateia ao vivo e das câmeras transmitindo para o mundo.
Helen foi a escolha unânime para liderar Dracovia.
"Tem que ser a Helen."
No segundo em que ela erguesse aquela bandeira durante o desfile e desse um balanço sequer moderado, o mastro quebraria ali mesmo.
E, se quebrasse, a bandeira cairia. Em transmissão global ao vivo. Diante do mundo inteiro.
Isso não seria só constrangedor. Viraria um espetáculo internacional, a dignidade de Dracovia esmagada na lama para todos verem.
E depois, os organizadores de Corvalon simplesmente viriam com um pedido de desculpas sincero e demitiriam algum temporário da compra, e pronto.
Drew vinha observando Helen de perto. Ele captou o quase imperceptível aperto entre as sobrancelhas dela ao pegar a bandeira, e o estômago dele despencou. Ele se inclinou e sussurrou. "O que foi?"
A expressão de Helen não mudou. Ela fez um leve gesto de negação. "Nada."
Mas uma ponta perigosa se enrolava devagar no canto dos lábios.
Os truques sujos de Corvalon ficavam mais patéticos a cada hora. Eles tinham ficado mais espertos numa coisa, porém.
Sabiam que ela se prepararia com antecedência, então desta vez adulteraram algo entregue no último segundo — o próprio mastro. Sem janela para ela neutralizar.
Eles realmente achavam que isso bastaria para humilhar Dracovia?
Helen ergueu o olhar e varreu o salão. E, como esperado, lá estava Soren, com a bandeira de Corvalon na mão, erguendo o queixo para ela num aceno provocativo, malícia e satisfação estampadas no rosto.

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