Helen seguia à frente, a postura ainda solta, sem pressa, e aqueles olhos frios sem deixar transparecer nada.
Mas o impacto tardio daquele floreio com o bastão e a bandeira ainda não tinha passado. Tudo nela irradiava uma autoridade silenciosa e esmagadora.
Ela lançou o olhar ao palco principal e à cabine de transmissão, a voz baixa, tranquila. "Eles estão fazendo tudo isso porque têm medo de Dracovia se destacar. Mas quanto mais tentam, mais óbvio fica. Eles estão com medo. Eles sabem o quão fortes nós somos.
"Fazer esse tipo de palhaçada numa transmissão global? Os únicos que acabam parecendo patéticos são eles."
Seus lábios vermelho-escuros se curvaram de leve. "Quanto às câmeras." Uma risada suave, quase displicente. O olhar que ela ergueu era algo próximo do desprezo, embrulhado numa calma perfeita. "Gravem isto. Dracovia não precisa que ninguém nos dê tempo de câmera.
"Onde quer que estejamos, é para lá que as câmeras apontam."
As palavras dela caíram como um golpe de martelo no coração de cada dracoviano daquele grupo. Os que ainda engasgavam de raiva ficaram imóveis por um instante.
Então algo no peito deles se rompeu.
A fúria não desapareceu. Mas foi empurrada para o lado por algo mais firme e muito mais poderoso. Convicção. Orgulho. Aquele tipo de crença inabalável que dizia que eles não precisavam ser reconhecidos para serem impossíveis de ignorar.
Não demorou para as palavras de Helen provarem que eram verdade.
As câmeras oficiais da transmissão estavam, de propósito, deixando Dracovia de fora. Mas o público ao vivo não era cego. E a imprensa internacional, muito menos.
O impacto visual do traje formal de Dracovia, com seus bordados de herança e uma identidade nacional inconfundível, era simplesmente forte demais.
A presença coletiva da equipe era intensa demais. E o floreio de bastão de Helen durante o desfile tinha sido de tirar o fôlego, eletrizando o local inteiro.
O público nas arquibancadas não se importava com o que o diretor da transmissão oficial queria. Mesmo com as câmeras principais suprimindo a cobertura, incontáveis celulares, nas seções de espectadores, estavam discretamente apontados para a equipe dracoviana.
A área da mídia independente foi ainda mais descarada. Eles abandonaram completamente o sinal oficial, ignoraram todas as orientações da produção e estavam literalmente arrastando o equipamento na direção de Dracovia.
"Quero outro close do lado dracoviano."
"Precisamos de uma tomada de destaque da capitã. Isso é obrigatório."
"Alguém pegou o bordado da manga e o detalhe da bandeira no peito? Voltem e peguem."
"A transmissão não vai dar cobertura para eles? Perfeito. Essa é a nossa brecha. A gente grava o nosso próprio material e o engajamento fica com a gente."
Menos de 30 minutos depois, os executivos da transmissão descobriram algo aterrorizante.
A cerimônia nem tinha acabado ainda. Em todas as grandes plataformas sociais internacionais, vídeos espontâneos da equipe dracoviana, fotos em HD da imprensa, clipes e imagens de todo tipo estavam se espalhando a uma velocidade alucinante. O engajamento crescia de forma exponencial.
DracoviaOpeningCeremonyAttire
DracovianCaptainFlagMoment
PresenceFromTheEast
A equipe dracoviana tinha acabado de mandar um recado direto na cara de Corvalon.
Vocês não vão nos dar as câmeras? Ótimo. Então nós vamos tomar todas as câmeras do planeta por conta própria.
Soren continuava lançando olhares furtivos para o celular, vendo tendência após tendência surgir ao lado de uma avalanche de comentários. O rosto dele se contorcia mais a cada atualização. Ele mal estava se segurando.
Ele tinha se dado a tanto trabalho. Puxado tantas cordas. E, mais uma vez, tudo aquilo não tinha feito nada além de entregar a Dracovia mais um momento de destaque.
Como? Como isso estava acontecendo?
Corvalon era o país anfitrião e, de algum jeito, Dracovia tinha roubado cada migalha de atenção naquela noite.
Soren rangeu os dentes, a fúria escura nos olhos quase transbordando.
Mas aquilo era uma transmissão global. Ele não podia perder a compostura. Não ali.
Os punhos se fecharam. A respiração ficou pesada.
Então o ponto no ouvido estalou. A voz autoritária do pai cortou o ruído. "Controle essa cara. Isso está ao vivo."
Uma pausa. "Aquela estudante dracoviana. Ela é de verdade."

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