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Faltam 30 dias para eu ir embora — Sr. Gabriel perdeu o controle romance Capítulo 1008

— Depois eu dou um jeito nisso. — Murmurou Letícia.

Renato não respondeu. À tarde, os dois ainda passaram para comprar algumas coisas, e assim se encerrou aquele dia que, para ela, parecia mais uma quase saída a dois do que um encontro de verdade.

Quando o entardecer chegou, Renato a deixou em casa.

Eduardo, que saía do escritório naquele momento, notou a irmã entrando com uma sacola nas mãos e lançou uma piadinha:

— O Renato que te deu isso?

Letícia puxou um sorriso torto e respondeu com desdém:

— Ha… Imagina! Foi só um brinde do restaurante.

— Brinde? Então por que trouxe até em casa? — Retrucou o irmão, arqueando a sobrancelha.

Letícia baixou os olhos para a sacola e pensou, incomodada:

“Pois é… Por que eu trouxe? Devia ter jogado direto no lixo.”

Soltou um suspiro cansado e subiu para o quarto, carregando o peso do dia junto com a sacola.

Eduardo ficou parado, observando a irmã cabisbaixa, e concluiu que o dia não tinha sido nada do que ela esperava. Desde cedo, tinha se arrumado toda, cheia de expectativa, planejado cada detalhe… E, no fim, voltava daquele jeito.

Ele coçou o queixo, refletindo. Talvez fosse hora de intervir.

Pegou o celular, abriu a conversa com Renato e, sem pensar muito, digitou uma mensagem.

Naquele momento, no hospital, Renato leu em silêncio a mensagem que acabara de receber de Eduardo.

O rapaz perguntava, de forma direta, se ele tinha algum interesse em Letícia. Dizia que, se tivesse, as duas famílias poderiam se unir, se não, que ao menos desse uma resposta clara.

Renato pensou que Eduardo falava a mando da mãe dele e, sem rodeios, digitou de volta que via Letícia apenas como uma irmã, que não tinha nenhum outro tipo de intenção.

Eduardo leu a resposta e apenas respondeu que tinha entendido.

Por um instante, pensou em repassar as palavras de Renato exatamente como estavam, mas acabou desistindo. Achou melhor suavizar, deixar implícito, convencer a irmã a desistir de vez daquela ideia.

Enquanto isso, no quarto, Letícia permanecia sentada, olhando fixamente para o ursinho barato e para as rosas artificiais cor-de-rosa que tinham vindo na sacola.

Estava perdida em pensamentos quando o celular vibrou. Pegou-o e, depois de ler, respondeu ao irmão:

[Não precisa me convencer a desistir, eu já decidi. Vou deixar isso pra lá.]

Renato a encarou com calma gelada, e esse olhar foi o suficiente para que ela baixasse os ombros. Com a voz encolhida, confessou:

— Me desculpe, Sr. Renato. Foi iniciativa minha… Não vai acontecer de novo. Por favor, não me mande para a África…

“Mandar para a África” era uma daquelas ameaças que ele usava mais como advertência do que como realidade. Mas, ainda assim, Renato queria entender qual tinha sido a motivação dela.

— E qual foi a ideia por trás disso? — Perguntou, a voz baixa, mas carregada daquela autoridade natural que impunha respeito.

Karine respirou fundo antes de responder, sem coragem de levantar os olhos:

— É que… Achei que o senhor e a Srta. Letícia combinavam bem. As famílias já se conhecem há tempos e, além disso, a Srta. Letícia é amiga da Srta. Beatriz…

Renato arqueou levemente a sobrancelha.

— Então você resolveu nos colocar num restaurante de casais e ainda reservar uma música de piano? — O tom era sereno, mas a pergunta trazia um peso que a fazia suar frio.

Karine engoliu em seco, a voz saindo quase como um sussurro:

— Eu… Eu só pensei que a Srta. Letícia gosta do senhor… E quis dar uma ajudinha, criar uma oportunidade.

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