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Faltam 30 dias para eu ir embora — Sr. Gabriel perdeu o controle romance Capítulo 1054

Ao mesmo tempo, Gabriel sentia-se ainda mais culpado por ter passado tantos anos sem visitar o avô.

Uma pontada de vergonha o atravessou ao lembrar de quanto tempo havia se afastado daquela parte da família que, no fundo, sempre se importara com ele.

Paulo, com o semblante mais sério, perguntou:

— Ouvi dizer que esse filho bastardo voltou ao país a mando do seu avô... E que ele mesmo o colocou de volta na sede da empresa. É verdade?

Gabriel assentiu com um leve movimento de cabeça.

A confirmação caiu como um balde de água fria. O rosto de Paulo imediatamente se fechou.

— Gabi. — Disse ele com firmeza. — Pode ficar tranquilo. Você tem a mim e ao seu avô do seu lado. Aquele bastardo não vai tomar o que é seu, nem agora, nem nunca. Naquela época, se o senhor Henrique não tivesse prometido criá-lo como herdeiro, a família Tavares teria lutado por você até o fim, mesmo que isso nos custasse tudo.

Mas se agora ele rompeu a palavra, então que não espere que fiquemos de braços cruzados!

Gabriel olhou para o tio e sentiu um calor inesperado no peito, uma mistura de gratidão e lealdade.

— Obrigado, tio. Mas não precisa se preocupar. — Disse com calma. — Estou bem.

Aquele tal de Sérgio não é páreo pra mim. Peço apenas que o senhor diga ao vovô para não se inquietar. Eu nunca deixarei que o filho daquela mulher infiel tome o que me pertence por direito.

No fundo, sabia que o avô não havia quebrado sua promessa.

O problema era ele mesmo, por ter decepcionado o velho, por insistir em Beatriz quando deveria tê-la deixado ir.

Foi por isso que o senhor Henrique trouxera Sérgio de volta, uma forma de pressioná-lo, de forçá-lo a recuar.

Mas esse tipo de coisa não se explicava em poucas palavras.

Gabriel preferiu guardar aquilo para outro momento, quando pudesse conversar com calma com o tio.

Paulo o observou em silêncio, notando a postura firme, a serenidade no olhar e a força quase inabalável que o sobrinho transmitia.

Um sorriso de orgulho se desenhou em seu rosto, e ele assentiu, satisfeito:

— É assim que se fala, garoto.

Essas questões de família ficariam para outro momento, poderiam conversar com calma depois.

Mesmo que o sobrinho dissesse estar sob controle da situação, Paulo decidira que ficaria na Cidade A por pelo menos umas duas semanas.

Queria garantir, com os próprios olhos, que aquele filho bastardo não representava nenhuma ameaça a Gabi.

Naquela noite, o voo dele havia atrasado. Chegara tarde e ainda não tivera tempo de cumprimentar o pessoal da família Cardoso.

Por isso perguntou:

— Gabi, vi que você estava saindo agora há pouco. Já falou com o pessoal dos Cardoso? Está indo embora?

Gabriel fez menção de confirmar com um aceno, mas hesitou ao lembrar que o tio tinha laços de parentesco com os Cardoso.

Então mudou o que ia dizer:

Ao atravessar o salão, abrindo caminho entre grupos e risadas, ele a viu.

Beatriz, cercada por um grupo de jovens cavalheiros, sorria radiante.

Conversava e ria com naturalidade, os olhos brilhando, as sobrancelhas suaves e o sorriso... aquele sorriso aberto, luminoso, em forma de meia-lua, que um dia fora só dele.

Aquela visão o atingiu como uma lâmina no peito.

O ciúme explodiu dentro dele, selvagem e sufocante, um instinto quase assassino, um impulso louco de arrancar todos aqueles homens dali.

Mas a realidade o prendeu no lugar. Tudo o que pôde fazer foi cerrar os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos, forçando os passos à frente, com o maxilar travado.

O coração doía, um peso agudo, uma dor latejante, cheia de espinhos.

Era como se mil agulhas perfurassem o peito de dentro para fora.

E ele sabia.

Sabia que tudo aquilo era o preço que merecia pagar.

A punição justa por tudo o que fizera.

Mesmo assim, não desviou o olhar.

Por mais que doesse, queria continuar olhando para ela, mais um pouco, só mais um instante, como um homem faminto tentando guardar na memória o rosto que nunca conseguira esquecer.

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