Ainda era cedo, mas a foto de si mesma espantou todo o sono de Serena.
Ela vestiu uma roupa de ginástica e pretendia sair para correr. Ao descer, ouviu vozes na sala de jantar.
— Você me acha uma vergonha, mas por quem eu fiz tudo isso? Não foi por você? — dizia Graciela enquanto colocava o café da manhã pronto para Ângela.
Ângela empurrou o prato, ainda com raiva.
— Estou sem fome.
— Mesmo sem fome, tem que comer. Pense no bebê na sua barriga. — Graciela empurrou o prato de volta para Ângela. — Ele é a sua carta na manga, a sua garantia para se firmar na Família Marques.
— Mas como a senhora pôde sair gastando com o cartão da Família Marques e ainda comprar aquele tipo de coisa!
— Se a Serena pode gastar, você também pode. E eu sou sua mãe, então eu também posso! Quanto àquela lingerie vermelha, eu comprei para você!
— A senhora comprou para mim?
— Cheguei há apenas dois dias, mas já percebi uma coisa. Dizem que é pelo projeto da empresa, e os dois velhos da Família Marques podem até pensar assim, mas o Xavier tem outros objetivos. Ele gosta da Serena, não é?
— ...
— Hum. Então, se você não pode ter o coração dele, tem que ter o corpo. E tem que dominá-lo, fazê-lo viciar em você, não conseguir te largar! Para um homem, quem ele ama no coração não importa, o que importa é em qual cama ele gosta de subir!
Ângela respirou fundo.
— Eu sei disso, é claro. Mas o Xavier é meu marido, por que a Serena deveria ter o coração dele?
— Ela ainda ocupa o seu lugar de Sra. Marques, não é? Então temos que pensar em um jeito de reconquistar o coração do seu marido e o seu lugar!
Ângela assentiu.
— Exato, eu vou reconquistar!
— A mamãe vai ficar em Cidade Lumia para te ajudar!
— Certo!
Naquele momento, mãe e filha estavam cheias de entusiasmo, mas não por muito tempo.

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